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Esta sequência do primeiro Annabelle, conforme se propõe, é uma explicação do surgimento do mal que ronda a boneca de terror mais famosa do mundo. É ambientado na casa de uma família que perdeu sua pequena filha de forma trágica e, anos mais tarde, o casal faz de sua residência um lar para garotas órfãs, abrigando uma série de meninas e uma freira. Uma das meninas tem problemas de locomoção devido a uma poliomielite e, adivinhe, algumas cenas tensas vão girar em torno disso. Ela é a primeira a perceber uma estranha presença maligna na casa. E porquê existe uma boneca? Ocorre que os pais constroem e vendem bonecas para se sustentar. E o mal que ronda a boneca, como surge? Isso não posso contar.

Precisamos reconhecer de cara o grande elenco do filme, principalmente as duas garotinhas menores, que são as protagonistas interpretadas por Talitha Bateman e Lulu Wilson. As garotinhas dão um show de interpretação, impressionam muito e provavelmente abriram as próprias portas para futuras participações em mais filmes do gênero. Além disso, suas personagens têm um sentido e força na trama, sendo fácil se apegar a elas. Dessa vez eu não torci pela boneca.

O nome original do filme é Annabelle: A Criação. A palavra criação vem à mente em alguns momentos do filme. Temos a criação do brinquedo, sua confecção física, temos a criação de uma situação de crise a partir de um acidente e, daí, cria-se o espaço para algumas atitudes que vão dar surgimento à criação do Mal. Dessa forma, o diretor David F. Sandberg, que foi a escolha certa para essa sequência, é o grande criador do terror que ronda o filme, a partir de uma casa e vários objetos. Desde um dispositivo de locomoção para pessoas que não podem andar, até um espantalho, ou um brinquedo, tudo é usado de forma criativa para assustar. Suspense e terror em alta.

Não podemos negar que o diretor conseguiu manter o nível do precursor James Wan, criador de Invocação do Mal e toda essa franquia que também incluí Annabelle e os futuros filmes A Freira e Invocação do Mal 3. A conexão que este filme faz com os anteriores é bem feita, disposta no meio da trama para agradar aos fãs e, para melhorar, esse filme é infinitamente superior ao primeiro Annabelle, que não agradou. É o mesmo diretor de Quando as Luzes se Apagam, que merece ser visto também. O roteiro é do mesmo do primeiro Annabelle, Gary Daubermann. E, é claro, James Wan está na produção, cuidando de seu legado. Acredito que o mérito maior fica ainda para o James Wan, por ter sido o idealizador do universo de Invocação do Mal, também diretor dos dois filmes. A história de Annabelle 2 se encaixa bem no contexto de Invocação do Mal e do primeiro Annabelle, então é um filme para os fãs dessa franquia. Repete muitas fórmulas, embora tenha havido grande criatividade para novas cenas de suspense e alguns sustos.

Por outro lado, o filme se prende muito ao padrão que nos acostumamos da franquia e não consegue trazer profundidade na história a ponto de nos surpreender. O medo que gira em torno da figura da boneca já é bem conhecido, quase que nos acostumamos com ela, ficando sempre naquela expectativa da boneca se mexer e tudo o mais. Sendo assim, o que falta claramente neste filme é uma profundidade na história em si. Talvez não precisasse explicar tanto como a boneca Annabelle foi de fato se tornar um objeto do Mal e, dessa forma, poderia explorar mais o drama das garotas órfãs que se sentem abandonadas e costumam se prender a bonecas para substituir as ausências dos pais. Elas foram educadas num meio religioso e de repente devem lutar contra um Mal que é tão poderoso quanto a fé e o oposto daquilo que se acostumaram a acreditar. Talvez essa falta não incomode tanto, já que é tão bom admirar a força maligna ao redor da boneca e as situações que os personagens estão submetidos e como eles conseguem – embora nem sempre – se safar. Apesar de ocorrer antes da história do primeiro filme, o final não é óbvio. E não percam os créditos finais que possuem duas cenas interessantes.

Daqui em diante, será uma grande desafio para as produções de terror a forma como os clichês serão trabalhados, pois este gênero é uma miríade de clichês. David F. Sandberg foi cuidadoso, houve toda uma preocupação com a estrutura da casa, muito jogo de câmera e cenas com o foco alterado para gerar suspense. Tudo isso gera uma forte simpatia do público que gosta de terror de qualidade, além de deixar a brecha para os filmes que virão. Que cheguem logo A Freira e Invocação do Mal 3!

Tags Relacionadas Annabelle, Conjuring, crítica, David F. Sandberg, filme de terror, Invocação do Mal, It a Coisa, James Wan, resenha, Stephen King, terror
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