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Argo, fuck yourself:
Em tempos de “Amanhecer – Parte 2”, da saga Crepúsculo, e todo o “exagero jovem” sobre este, podemos acabar cometendo a falha de não assistir a alguns filmes interessantes, como este dirigido e protagonizado por Ben Affleck. Apesar de uma carreira não tão bem sucedida como ator, este tem evidenciado uma boa carreira na direção. Estreou dirigindo Medo da Verdade (“Gone Baby Gone”, EUA, 2007), um excelente filme que tem seu irmão como protagonista (Casey Affleck), e depois dirigiu e protagonizou Atração Perigosa (2010). Também escreveu o roteiro dos dois filmes.
Neste terceiro filme como diretor, onde mais uma vez assina o roteiro, Aflleck explora um dos momentos mais surpreendentes já vividos na CIA e também do cinema. Em 1979, durante a chamada Crise de Reféns no Irã, as massas furiosas invadiram a embaixada dos EUA, fazendo 54 prisioneiros. Seis funcionários, porém, conseguiram escapar, refugiando-se na casa do embaixador canadense em Teerã. A CIA, então, bola um plano inusitado de extradição desses funcionários, encabeçado pelo agente secreto Tony Mendez (interpretado por Affleck). O plano consistiu na criação de um filme falso, que seria uma boa desculpa para fazer com que os funcionários se passassem por uma equipe de produção cinematográfica que estaria viajando pelo Irã para filmar lugares exóticos em busca de locações, para um filme de ficção que não passava de uma imitação de Star Wars. Mesmo assim, um plano bem arriscado, considerando que o Irã era um país em crise política. As comunicações dependiam do telefone fixo e não existia toda a tecnologia de hoje para ajudar a CIA, o que explica a falta de opções e a aprovação dessa operação. O filme de ficção recebeu o título de “Argo”, e realmente circulava nos corredores de Hollywood na época.
Affleck tomou essa responsabilidade para si, de contar essa história verídica, assim como o personagem principal, bem interpretado por ele mesmo, assume uma arriscada responsabilidade por aqueles 6 americanos (uma frase do personagem em momento de decisão: “Quando as coisas acontecem, é porque alguém assumiu a responsabilidade”). De forma madura, ele aproveita para dosar o filme com cenas divertidas, apoiado muito bem pelos atores Alan Arkin (no papel do produtor Lester Siegel) e John Goodman (no papel do lendário maquiador John Chambers, da série Planeta dos Macacos). Também não podemos deixar de notar o excelente Bryan Cranston, mesmo que mais uma vez em papel secundário, fazendo o chefe de Mendez.
Existe uma crítica sobre a indústria cinematográfica, e algumas vezes é exibido o famoso monumento letreiro “Hollywood”, que na época se encontrava caindo aos pedaços. Para manter esse clima do mundo do cinema, alguns atores famosos são citados no filme, tais como Warren Beatty, Rock Hudson e John Wayne. Mesmo com essas doses de comédia, é na construção de tensão que Affleck se prova mais uma vez capaz como diretor. A cada momento em que parece que o filme vai ficar cômico demais, somos trazidos novamente para o foco da situação no Irã. Tudo é feito com calma e realismo, para que nos momentos finais o espectador fique bem nervoso com a tensão causada pela situação.
Muito bom o cuidado com a reconstrução dos eventos. O uso de cenas documentais em contraste com as que foram criadas para o filme, inclusive fotografias reais ao lado de fotos de cenas do filme, deixam uma boa impressão da maturidade da direção e produção. Recomendo aguardar um pouco, após o término do filme, para ver as imagens, inclusive fotos e gravação dos protagonistas reais.

http://omelete.uol.com.br/argo-ben-affleck/cinema/argo-critica/

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