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Esse filme é um presente merecido para os fãs, já que o resultado ficou excelente. Adaptação feita com muito cuidado, em detalhes, conseguindo ser assustador e ao mesmo tempo agradável. A mensagem principal - que não poderia ficar de fora - está lá: a personificação do medo, que é a definição da Coisa, o palhaço monstruoso que se materializa no medo de suas vítimas e se alimenta dessa sensação de medo. O diretor argentino Andrés Muschietti merece louvor por deixar 2 horas e 15 minutos de diversão e cenas assustadoramente criativas.

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Juan (Alexis Díaz de Villegas) é um sujeito de 40 anos especializado na arte de não fazer nada. Um dia, se depara com uma misteriosa infecção que está transformando os habitantes de Havana em mortos-vivos. Como um bom cubano, decide começar um negócio ao lado do amigo Lazaro (Jorge Molina) para tirar vantagem da situação. Eles se especializam em assassinar zumbis e trabalham com o slogan "Matamos seus entes queridos". O negócio acaba sendo afetado com o crescimento constante do número de infectados. Dirigido por Alejandro Brugués.

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A jovem Jay (Maika Monroe) leva uma vida tranquila entre escola, paqueras e passeios no lago. Após uma transa, o garoto com quem passou a noite explica que ele carregava no corpo uma força maligna, transmissível às pessoas apenas pelo sexo. Enquanto vive o dilema de carregar a sina ou passá-la adiante, a jovem começa a ser perseguida por figuras estranhas que tentam matá-la e não são vistas por mais ninguém. Dirigido por David Robert Mitchell.

A coisa que te persegue:
Você já se sentiu rodeado de fantasmas? O fantasma do medo, da pressão social, do julgamento, da inveja ou qualquer outro? Já parou para olhar se alguém o persegue? A juventude lida com uma série de preocupações que vêm junto com o amadurecimento, uma delas é a forma como ela encara o sexo. Estreando no Festival de Cannes em 2014, este filme merece uma atenção especial quando provoca esse tipo de reflexão através de uma história macabra. Assim, como pudemos observar em outro grande filme de horror, “O Chamado” (2002), no qual uma fita cassete deveria ser passada para se livrar da maldição, este aqui é mais um do tipo slasher movie (uma criatura ou pessoa persegue e faz uma série de vítimas), seguindo uma espécie de maldição que é sexualmente transmissível (após a relação, a pessoa passa a ser perseguida pela entidade que estava atrás da anterior).

Com boa carga psicológica, essa ideia gera situações bem tensas no filme, altas expectativase frio na espinha ao acompanhar a saga da garota amaldiçoada. Com um jogo de câmera interessante, em alguns momentos girando 360oe deixando o espectador na iminência de encarar qualquer coisa que possa aparecer para assustá-lo, além de uma trilha sonora feita sob encomenda (concluída em menos de 3 semanas, composta por Rich Vreeland, mais conhecido como Disasterpeace), dando um clima de terror anos 80, o filme já valeria a pena somente por essas sacadas e todo o clima sinistro que apresenta. Contudo, ele vai além, e é por isso que preciso deixar alguns spoilers e curiosidades na esperança de que o espectador compreenda melhor a dimensão deste:

O filme começa bem tenso, mostrando uma vítima que não consegue escapar da coisa que a persegue, embora dessa vez ainda não vejamos a coisa. Em outros momentos, após explicada toda a situação, vemos a coisa em muitas cenas, inclusive tem vezes que os próprios personagens não a enxergam, mas nós estamos ali quase que querendo avisar a eles que ela está chegando perto. Um caso quase imperceptível é numa cena na escola, quando os amigos de Jay procuram informações sobre o cara que passou a maldição para ela, depois eles saem de carro (a mesma menina que apareceu um pouco antes, quado eles chegaram a escola, aparece andando em direção ao carro).
Poesias da literatura são apresentadas mais de uma vez, uma pelo professor na sala de aula (“A Canção de Amor de J. Alfred Prufrock”, de TS Eliot), outra pela irmã de Jay quase no final do filme. Elas têm uma forte relação com a metáfora proposta pelo filme, lidando com questões reflexivas, por exemplo, o fim da vida. Não adianta evitar, uma hora a morte te alcança, mesmo que demore (como a coisa do filme).

É curioso tentar imaginar o tempo em que o filme se passa. Enquanto um personagem está com celular (a garota do início do filme), outros assistem a filmes de terror mais antigos. Certos carros apresentados são de épocas mais recentes e outros não. Ao que parece, a primeira cena se passou depois dos demais eventos do filme, mostrando então que a coisa continua viva e matou mais uma pessoa, assim, está voltando para a anterior. Sinistro.

Outro fato interessante é reparar na casa onde o cara que passou a maldição para Jay morava. Ela mesma menciona que conhecia o lugar, mas nunca chegou a entrar, até porque ele mesmo evitava isso. Sabemos que ficar em lugar fechado com a coisa te perseguindo é desvantagem. Isso nos leva a interpretar que ele estava com a maldição há um tempo e não suportou mais, passando assim para Jay. A casa onde ele habitava temporariamente (veja que na verdade ele morava num lugar melhor, mas só voltou para lá depois que passou a maldição) é uma ruína em estilo residência, chamada American Foursquare. Era uma tendência popular na década de 1890 até 1930. A construção tem um padrão circular, onde é possível prosseguir através de várias salas e voltar ao ponto de partida, sem nunca inverter o caminho. Em algumas moradias, há quartos adjacentes, armários e banheiros compartilhados. Ou seja, é a melhor morada para conseguir se esquivar da coisa.

Com mais de 10 indicações em festivais alternativos (pouco conhecidos) e alguns prêmios, o filme faz alusão a problemas enfrentados pelos adolescentes, diante da vida. O sexo é um tema bem escolhido e no mínimo a ideia de passar essas mensagens através de um filme de horror é valoroso. A questão do fim da virgindade ou até o fato de não a perder, principalmente durante a escola, é muitas vezes um peso, como se todo mundo ficasse julgando a pessoa. É o fim da inocência quando o sexo desencadeia a situação toda. Quem um dia esperou uma noite romântica e na verdade ela se tornou um pesadelo? Após o sexo, Jay confessa que antigamente ela esperava um príncipe encantado, isso mostra a questão da inocência sendo quebrada. O filme dispensa quase o tempo todo a presença de adultos, nem a mãe da protagonista aparece direito, o diretor evita que a câmera mostre o rosto dela. Afinal, o foco é os jovens e seus conflitos internos. Boa parte dos adultos aparece na forma da coisa, é aí que precisamos prestar a tenção às fotos que são apresentadas nos quartos. Elas mostram pessoas que são usadas na forma que a coisa assume (por exemplo, o pai da Jay, que aparece na cena da piscina e depois é mostrado na foto no quarto dela). A figura dos pais é repetida algumas vezes pela coisa e isso é proposital já que o julgamento deles sobre os filhos é um tema importante. Em uma cena, Jay coloca pedaços de grama em sua perna e isso representa o formato de cortes, parecendo a ideia de um suicídio, algo comum entre os jovens diante de problemas na vida, muitos deles ligados de alguma forma ao sexo.

O diretor consegue, seja em locais fechados ou abertos, tomadas de câmera perfeitas para dar uma sensação de nossa presença no local. Isso ajuda com os sustos e cria um clima de tensão. Uma entidade em forma de pessoa deixa a coisa tão assustadora quanto se fosse uma entidade horrorosa, que é uma estratégia de muitos filmes do gênero. Até então, este ano foi fraco em relação a filmes de terror. Poucas exceções como este filme e o excelente Goodnight Mommy (Áustria, 2015) devem salvar o gênero.

__________________________________
Fontes:
https://pt.wikipedia.org/wiki/It_Follows
http://www.adorocinema.com/filmes/filme-228463/curiosidades/
http://www.blahcultural.com/critica-de-filme-corrente-mal/

Tags Relacionadas Chamado, crítica, David Robert Mitchell, Disasterpeace, fantasma, Foursquare, Goodnight Mommy, It Follows, Maika Monroe, resenha, terror
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