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Jesus de Nazaré (“Jesus of Nazareth”) – de Franco Zefirelli

Franco Zefirelli dirige esse clássico que conta a história de Jesus desde sua humilde origem, como filho de Deus. Sua viagem inclui o Sermão no Montes das Oliveiras, as Tentações de Satanás, a escolha dos Doze Apóstolos, a Última Ceia, a Crucificação e a Ressurreição.

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Esperança e Glória (Reino Unido, 1987)

Hope and Glory (Reino Unido, 1987)

Se eu soubesse que Esperança e Glória, filme de drama e guerra, era tão diferente dos outros filmes ambientados na Segunda Guerra Mundial, teria visto bem antes. O diretor John Boorman fez deste uma espécie de autobiografia, já que ele nasceu e foi criado em Londres, durante a Segunda Guerra, e relatou a história de um garoto de nove anos que relembra os horrores de uma Inglaterra devastada por bombardeios durante a guerra. Apensar da tensão pelo momento, a narrativa é toda focada nas pessoas que não estão no campo de batalha, ou seja, nas famílias que foram deixadas quando os homens, jovens ou adultos, tiveram que lutar pelo seu país. Existe toda a expectativa, tristeza e tudo o mais, dessas pessoas, crianças, mulheres, enfim, que ficam aguardando o fim da guerra e retorno de seus entes queridos, mas também surgem cenas agradáveis que reduzem esse peso que é a guerra em si. Essas cenas acabam tendo tanta força quanto a própria guerra em si, deixando o filme com o seu diferencial.

Enquanto Londres está na iminência de sofrer ataques de bombardeios, Bill (Sebastian Rice-Edwards) tem que conviver com a ausência do pai que deixa a família e parte para o campo de batalha, todo empolgado com seu patriotismo. Junto com outras crianças, o garoto se diverte e entra numa gangue infantil que na verdade representa essa fuga do cenário real, uma espécie de poder que a ficção tem de minimizar a realidade. As crianças definem o filme. Elas brincam nos escombros que sobraram de um ataque ou nos restos de uma casa que foi incendiada. Boorman mostra a guerra através desses olhos infantis, através das pessoas que ficam. Nisso ele também reforça o valor da família, que resiste unida, chegando a se ajudar da melhor forma que podem. A casa dos avós do garoto no meio do lago, é linda e aconchegante o suficiente para representar essa característica, com toda a receptividade que os avós possuem com seus familiares.

Existem gestos de quebra da ficção, como quando a garota entra em trabalho de parto e, não tendo para onde ir, uma pessoa fala “Água quente. Muita água quente!”. Outra pergunta a utilidade disso e a pessoa responde: “Sei lá. Sempre dizem isso nos filmes.”. Enfim, as coisas precisam se ajustar em meio a uma situação sem recursos e o filme mostra que as pessoas conseguem se superar nessas condições. Isso é reforçado nas cenas onde ocorrem situações positivas mesmo num cenário maior turbulento (a cena da bomba no lago permitindo ao garoto conseguir vários peixes é peculiar), seja na diversão que as crianças encontram quando toca a sirene avisando um ataque aéreo (afinal, quando isso ocorre, a escola interrompe as aulas) ou de forma mais explícita quando uma bomba perdida destrói a escola e as crianças entram em ritmo de comemoração contagiante.

O assunto não perde sua seriedade, afinal o filme é um drama sobre a guerra. Com esse foco nas pessoas que ficam fora da batalha, tentando tocar suas vidas já modificadas, mas também trazendo várias situações mostrando o lado positivo das coisas, percebemos que não se vive só de esperança e de glória, se vive o momento em si da melhor forma que pudermos, e ele pode ser bom mesmo com tantas forças externas ameaçando nossas vidas.

“Nada mais na minha vida se igualou à alegria daquele momento.
Minha escola estava em ruínas.
E o rio acenava com a promessa dos dias furtados.”

Tags Relacionadas crítica, Esperança e Glória, filme de guerra, Guerra, Guerra Civil, Hope and Glory, John Boorman, resenha
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