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Elias e Lukas:

Eu, brasileiro, tive a oportunidade de escolher somente um filme para assistir em Nova York, queria muito conhecer algum espaço de cinema nos EUA. Escolhi o Elinor Bunin Munroe Film Center, no Lincoln Center, em Manhattan, que é tipo sala de arte, passando filmes estrangeiros. Dessa forma, apesar da língua falada no filme escolhido ser a alemã, as legendas em inglês foram suficientes para entendimento pleno… e a escolha do filme foi certeira.
Há quem diga que este é o filme de terror mais assustador do ano. Na verdade, o filme alterna entre o drama e o suspense, inclusive trás à tona uma boa discussão sobre relacionamentos familiares e a importância de cuidar bem dos filhos após a ocorrência de um trauma. A Áustria anunciou que este será o seu representante para o Oscar 2016 de Melhor Filme Estrangeiro. Só espero que passe logo pelas salas do cinema nacional, pois merece muito ser assistido.

Na trama, mãe e dois filhos (gêmeos) estão isolados numa residência em meio a árvores e plantações de milho. Ela sofreu uma cirurgia plástica no rosto, sua aparência coberta de ataduras dá um ar assustador e seu comportamento com os filhos parece severo e questionável. Então, a relação entre eles vai ficando cada vez mais tensa. Alguns fatos recentes observados pelos garotos faz com que eles suspeitem se de fato ela é sua mãe verdadeira. Daí em diante não dá para contar, só deixar o registro de que a trama fica carregada de mistério, suspense, expectativas sobre a verdade e, claro, cenas bem fortes.

O elenco é formado por Susanne Wuest, Elias Schwarz e Lukas Schwarz. Ela simplesmente é chamada sempre de “mãe” (mommy), então não sabemos o seu nome e essa deve ser uma forma que os diretores encontraram para universalizar o papel de mãe. Os garotos emprestaram o seu primeiro nome de verdade para os personagens (os atores se chamam Elias e Lukas mesmo).

O filme é carregado de mistério, os cineastas decidiram disponibilizar poucas explicações durante a trama, nos deixando somente ser levados pelas cenas. Um ponto muito forte é a fotografia, quanto mais com grandes paisagens da floresta e da própria casa que é um espetáculo. Mas o ponto de maior destaque é a forma como foi transportada para as telas essa discussão sobre a relação familiar, as consequências de desentendimentos e desconfianças – muitas vezes como reação após um trauma – e a agressividade resultante dessa desconfiança, quanto mais num ambiente isolado. A dupla Severin Fiala e Veronika Franz mistura tudo isso com algumas cenas que se aproximam do macabro. Como os dois garotos e a mãe precisam conviver quase o tempo inteiro juntos, ficamos sempre na expectativa de como um vai tratar ou reagir a uma ação do outro.

Aguarde um final impactante e difícil de ser previamente descoberto, apesar de que existem algumas pistas durante a trama, assim como outras que são estratégias para nos confundir um pouco. Particularmente, gosto muito de ser surpreendido pelos finais dos filmes, o que foi o caso.

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