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Quem gosta de filme de super herói não tem o que reclamar, as produções baseadas em História em Quadrinhos (HQs) estão em alta e já são consideradas blockbusters (grandes produções com popularidade e elevado sucesso financeiro) há um bom tempo. Os críticos de cinema e a população que simpatiza – ou é fã de verdade – não estão mais esperando, simplesmente, um filme com grandes cenas de ação; todos querem uma boa história que passe uma mensagem e seja minimamente próxima da riqueza de conteúdo que os quadrinhos possuem. Felizmente, este novo filme do popular, ou melhor, do “fabuloso” e “espetacular” Homem-Aranha, é positivo em vários aspectos. Já na abertura padrão da Marvel, com aquelas imagens dos heróis, introduziram a musiquinha famosa do Homem-Aranha, então a empolgação começa bem cedo para os espectadores.

Primeiramente, é um filme focado na pessoa de Peter Parker, ou seja, o ser humano que ele representa é tão importante na história quanto o super herói que ele encarna, quando é necessário (ou seja, quase o tempo todo). Protagonizado por Tom Holland, não temos o que reclamar do resultado. Thomas Stanley “Tom” Holland é um ator (também dançarino) inglês, de 21 anos, que interpreta um Peter Parker de 15 anos de idade. Todas as manias e aventuras de um garoto que precisa passar pelo ensino médio, se apaixonar pela primeira vez, lidar com a perda recente do tio que o criou, enfim, está lá bem representado – até demais – pelo ator. Um garoto que ganhou super poderes e precisou encarar, cedo demais, o fardo que é ser um super herói num mundo violento e confuso. Contudo, ele é o Homem-Aranha, aquele que se orgulha do poder que tem e quer mostrar resultado. Assim, encarando o super herói de forma mais leve, cômica, ele vai levando a vida e fazendo o que pode para ser o herói-vizinho-camarada. Até nas cenas fortes, mais dramáticas, temos uma interpretação admirável (quem disse que ele não pode se desesperar, quase perder as esperanças e até pedir por socorro?).

O personagem apresenta certa imaturidade, seja nas decisões, seja aprendendo melhor a usar as próprias habilidades, mas então damos um desconto quando vemos o quanto o personagem é corajoso e não se contenta com fazer tão pouco pelo mundo. Ele quer ser um Vingador, fazer parte de algo maior, e essa meta é tão importante que ele deixa de viver as coisas que um adolescente precisa (conquistar a garota desejada, montar um quebra-cabeça com o melhor amigo, participar de um concurso significativo para a escola, enfim). É essa transição de prioridades, deveres escolares e familiares versus deveres do herói, que nos mostra o quão difícil é a vida de Peter Parker e o quão versátil ele precisa ser para dar conta de tudo. A forma como ele passa a entender o conceito de responsabilidade e se arriscar pelo próximo é fantástica. As frases de efeito, seja a já conhecida do tio Ben (“Grandes poderes trazem grandes responsabilidades”) e a já apresentada desde o trailer pelo Tony Stark (“Se você não é nada sem o traje é porque você não merece tê-lo”) representam bem as grandes lições no filme. Isso me lembrou uma das melhores cenas de Capitão América: Guerra Civil, onde os personagens acabam tendo que entrar em ação ainda sem os uniformes.

Tony Stark representa um pai que parece estar ausente, contudo está mais próximo do que se imagina. Aliás, extremamente positiva essa sacada de incluir o personagem na história, com um papel fundamental e fazendo a ponte para os Vingadores e a tão esperada Guerra Infinita. Em poucas cenas que aparece, Robert Downey Jr brilha e arrancha gargalhadas dos espectadores. Ele é responsável pelo uniforme hi-tech do Homem-Aranha que garante uma inovação considerável em relação aos filmes anteriores do herói.

E, para não ficar por baixo, Michael Keaton como Abutre é mais um destaque, principalmente contracenando com Peter Parker. Ambos chegam a ter um diálogo importante que justifica a existência do vilão e, na verdade, percebemos que ele não deixa de ser mais uma vítima. A construção do personagem é muito boa e isso é o que se espera de bons filmes de herói.

Referências bacanas a Curtindo a Vida Adoidado (1986), outro filme que representa a adolescência, assim como a saga Star Wars que tem o viés da escolha (ser herói ou ir para o lado negro da força?) estão no filme. Numa das melhores cenas onde Homem-Aranha conversa com Abutre, este último mostra argumentos para a sua escolha em ser um vilão, mas parece que Peter Parker já fez a sua há muito tempo.

Sinto falta do personagem também como narrador da história, algo que ocorre muito nos quadrinhos do Homem-Aranha, mas entendi que neste filme isso poderia não se encaixar bem. O mais importante é que será difícil encontrar pessoas, de qualquer idade, que não se divirtam com esse. O filme representa tudo o que um herói pode ser, aquela coisa de esconder a identidade, ficar vigilante e salvar as pessoas. Mostra os aspectos bons e ruins disso e deixa aquela injeção de coragem que é necessária dentro da difícil fase de crescimento, afinal, Peter Parker é um garoto que representa tudo isso, aprendendo a ser herói e adolescente ao mesmo tempo.

Curiosidades preciosas em relação a HQ e o que pode vir por aí – SPOILER:

Prós e contras em relação ao filme podem existir para aqueles que conhecem bem o herói.

A ausência de um poder importante, o sentido de aranha, deixa uma brecha que precisa ser melhor explicada. Foi proposital para provocar os fãs, faz parte dessa inovação ou reinvenção do personagem junto com todos os artefatos do uniforme customizado pelo Homem de Ferro, ou é algo a ser reparado no próximo filme? Difícil responder.

Ao menos, a fabricação própria da teia ficou mais próxima da revistinha. Não existe essa, como nos primeiros filmes, da teia sair do próprio pulso do rapaz! Afinal, Peter Parker é prematuramente inteligente para fabricar sua própria munição e isso fica bem exposto no longa.

Não existe o Peter jornalista, ao menos ainda. É como se ele estivesse nos seus primeiros meses após se tornar Homem-Aranha e está passando pelo período de maturidade, seja como pessoa, seja como herói.

Os colegas de escola como Liz e Flash Thompson estão na fase da HQ onde Peter ainda é o magrelo inteligente que sobre perturbação dos colegas de classe. Contudo, a fase “De volta ao lar” na verdade é após o término da relação com Mary Jane, onde o herói passa por uma fase mais revoltada e o sentido de aranha não funciona para um novo vilão que surge.

Vejam que Tony Stark apresenta um novo uniforme, no final, ao Peter Parker. Provavelmente, é o que o Homem-Aranha vai usar em Guerra Infinita, próxima fase dos Vingadores, que promete muito.

Nos créditos finais, Abutre está na prisão e se encontra novamente com um dos vilões do Homem-Aranha, o Escorpião. Ele menciona que existem outros inimigos do Homem-Aranha, assim como o Shocker que foi apresentado anteriormente na trama. Essa, provavelmente, é uma iniciativa para a formação de vilões conhecida como Sexteto Sinistro (Sinister Six), grupo de supervilões que se juntam para detonar o Homem-Aranha, organizado pelo Doutor Octopus.

Tags Relacionadas Abutre, crítica, De Volta ao Lar, Homem de Ferro, Homem-Aranha, HQ, Michael Keaton, Peter Parker, Quadrinhos, resenha, Tom Holland, Tony Stark, Vingadores
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