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Jumanji: Bem-Vindo à Selva (2017)

Dirigido por Jake Kasdan, o filme vai na carona da empolgante música do Guns N' Roses, “Welcome to the jungle”, usada também no subtítulo do filme, somos inseridos na terra de Jumanji, com florestas densas e criaturas perigosas, além dos inimigos humanos. A diversidade ecológica se mistura à diversidade dos personagens, sendo assim o roteiro acerta um pouco em investir na questão da diversidade na medida em que junta um nerd, uma patricinha que adora exposição, um jogador de futebol popular que não estuda e uma menina estranha e tímida.

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A começar pela resumo da trama e sabendo que a direção é de Spike Lee, podemos esperar o melhor possível: em 1978, Ron Stallworth, um policial negro do Colorado, conseguiu se infiltrar na Ku Klux Klan local. Ele se comunicava com os outros membros do grupo por meio de telefonemas e cartas, quando precisava estar fisicamente presente enviava um outro policial branco no seu lugar. Depois de meses de investigação, Ron se tornou o líder da seita, sendo responsável por sabotar uma série de linchamentos e outros crimes de ódio orquestrados pelos racistas.

É um bom filme policial baseado em fatos reais, com momentos engraçados e boa trilha sonora ao estilo policial da década de 70, mas o forte é essa expressão da luta contra o racismo que o diretor consegue conectar com situações que estamos vivendo atualmente. Choca e critica uma nação racista, já vimos isso em outros filmes dele como Faça a Coisa Certa (1989) e Malcolm X (1992). Ele tem como referência e cita em alguns filmes o ativista Martin Luther King Jr. Assim, é um apelo aos direitos civis de negros, mas também de judeus e homossexuais… tudo que precisamos resgatar diante do atual cenário.

“Esse lance é baseado numa parada que aconteceu mesmo”

Além dessa parte crítica, temos brincadeiras com a chamada linguagem culta e linguagem malandra, o preconceito também contra policiais que, assim como o negro ganhava apelidos racistas (crioulo, macaco) o policial era chamado de “meganha”. Também temos citações honrosas a famosos personagens negros como Superfly e Shaft. E ótimas atuações da dupla policial no filme: John David Washington e Adam Driver, principalmente o primeiro. Quem está excelente é um dos antagonistas representando o verdadeiro homem racista insano, interpretado pelo ator finlandês Jasper Pääkkönen que participa da série Vikings.

Nem sempre os filmes serviram para criticar, expor, desabafar e unir a nação contra essas questões que levam a uma triste violência. D. W. Griffith foi polêmico ao entregar O Nascimento de Uma Nação (1915) que começa com a seguinte frase: “A vinda dos africanos para a América plantou a primeira semente de discórdia”. Ele é um dos diretores mais importantes da história do cinema, mas seu filme está longe de ser um bom exemplo, já que traz as questões que Spike Lee critica, contudo Griffith se mostrou contra os negros e claramente a favor da supremacia branca e o terrorismo cristão protestante da Ku Klux Klan. E por isso mesmo, com maestria, Spike Lee utiliza cenas deste filme de Griffith. Do nascimento de uma nação racista para este novo de Spike Lee que mostra como isso continua presente, e tem sido, infelizmente, resgatado em virtude de dirigentes e daqueles que são a favor. Até aparece a frase “América: ame-a ou deixe-a” no filme.

Lee não mede esforços, sua crítica é forte e ainda mostra situações ocorridas nos EUA recentemente, como a morte de uma ativista (32 anos) com 33 feridos em agosto de 2017, após um protesto em Charlottesville, Virgínia, contra a extrema-direita dos EUA que é contra negros, imigrantes, gays e judeus. Nesse episódio vemos um depoimento real de David Duke, ex líder da Ku Klux Klan. Contudo, fiquemos felizes em saber que Ron Stallworth também vive atualmente, como policial aposentado.

Repúdio ao racismo, machismo, homofobia, má conduta policial e assédio. Não a violência, sim ao amor ao próximo.

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