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Aplaudido no festival de cinema independente Overlook Film Festival, um terror psicológico e, ao mesmo tempo, bastante reflexivo. Paul (Joel Edgerton) mora com sua esposa e o filho numa casa isolada, com uma certa segurança diante de uma espécie de epidemia. Um dia chega uma família desesperada procurando refúgio e eles aceitam. Aos poucos, a paranoia e desconfiança vão aumentando e Paul vai fazer de tudo para proteger sua família contra algo que vem aterrorizando a todos. Escrito e dirigido por Trey Edward Shults.

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It: A Coisa (2017)

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Faz anos que li A Coisa, livro de Stephen King publicado em 1986. Até hoje não encontrei uma história de terror tão forte e com uma dramatização tão boa quanto essa. A história se passa nas férias escolares de 1958, em Derry, cidadezinha do Maine, onde os amigos Bill, Richie, Stan, Mike, Eddie, Ben e Beverly aprenderam o real sentido da amizade, do amor, da confiança e, para quebrar, do medo. Eles enfrentaram pela primeira vez a Coisa, um ser sobrenatural e maligno que deixou terríveis marcas de sangue em Derry. Quase trinta anos depois, os amigos voltam a se encontrar para tentar cumprir a promessa selada com sangue que fizeram quando crianças: vencer a Coisa.

Houve uma adaptação, um telefilme de 1990, que deixou muito a desejar. Só que esse novo filme é um presente merecido para os fãs, já que o resultado ficou excelente. Adaptação feita com muito cuidado, em detalhes, conseguindo ser assustador e ao mesmo tempo agradável. A mensagem principal – que não poderia ficar de fora – está lá: a personificação do medo, que é a definição da Coisa, o palhaço monstruoso que se materializa no medo de suas vítimas e se alimenta dessa sensação de medo. O diretor argentino Andrés Muschietti merece louvor por deixar 2 horas e 15 minutos de diversão e cenas assustadoramente criativas.

Os garotos formam o Clube dos Perdedores, pois sofrem muito bullying de colegas mais velhos da escola. Além disso, vivem traumas familiares que concretizam o verdadeiro sentido da maldade, com casos de pedofilia, preconceito, entre outros. Com isso, são muitos antagonistas que justificam então o sentido de existência do palhaço. É como se ele fosse criado pela maldade em si que há nas pessoas e se alimentasse do medo, e as vítimas mais fáceis são as crianças inocentes e frágeis. Contemplemos essa jornada do medo sendo combatido pela amizade.

O elenco principal é composto de crianças e elas são o ponto mais forte desse filme. Os atores devem ter sido escolhidos a dedo e fica a sensação de que eles até leram o livro, pois os personagens estão bem interpretados, suas características, trejeitos, personalidade muito próximos do que se descreve na obra. Seja o Bill “Gaginho” (Jaeden Lieberher) como o líder que não desiste, o Richie “Boca de Lixo” (Finn Wolfhard), o gordinho e apaixonado Ben (Jeremy Ray Taylor) ou a Beverly (Sophia Lillis), todos estão maravilhosos e não tem como não lembrar da série Stranger Things, até porquê Finn Wolfhard é um dos protagonistas da série. É importante frisar que o livro A Coisa, escrito há mais de 30 anos atrás, foi uma das inspirações para a série Stranger Things.

O ator que faz o palhaço também deu conta do recado. Bill Skarsgård é o Pennywise insano, sarcástico e, no momento em que ele começa a perder, percebemos uma atuação suficiente para passar a sensação de hesitação em seu comportamento. Histérico, louco, mas também com seu ponto fraco que precisa ser percebido e explorado pelos garotos. A briga acaba ficando feia numa das cenas mais empolgantes, quando o grupo enfrenta o palhaço.

Como estamos entre garotos (e uma garota), no verão em Derry, muitas situações engraçadas surgem e dão uma equilibrada no clima do filme. Além disso, os personagem são explorados cuidadosamente. Isso é bom, considerando que hoje em dia o terror só pelo terror não agrada. Precisa ter cenas tensas, aprofundar a sensação e sentimento dos personagens e ter um contexto bem explorado para justificar o monstro. E isso temos de sobra aqui. Até numa passagem rápida, vemos o anúncio do filme “A Hora do Pesadelo 5” em cartaz, uma comparação direta entre Freddy Krueger e Pennywise. O primeiro se apodera dos sonhos e usa o medo de suas vítimas para prendê-las em pesadelos que matam de verdade, enquanto o palhaço faz mais ou menos isso na vida real.

As formas que a criatura assume e a criatividade para assustar e conseguir enganar os garotos é genial e usa muitos elementos do livro. Mais um fator a se considerar na adaptação, que de fato ficou tão boa a ponto do próprio Stephen King aprovar, o que é raro. Para os desinformados, esse filme é só metade da história. É uma boa oportunidade para aqueles que se interessaram em ler o livro para depois conferir o próximo filme. E para quem já leu, deve contemplar com bons olhos a proximidade com a obra, na forma como aborda a amizade entre os perdedores, o medo de cada personagem, a bicicleta Silver de Bill e seu grito “Hi-Yo, Silver!”, a guerra de pedra no rio, a cena de George e o palhaço, entre muitas outras. Embora não tenha como acompanhar o nível de brutalidade e dramatização do livro, temos que reconhecer que foi feito o melhor possível e podemos esperar com empolgação o próximo filme, quando as coisas vão ficar mais adultas (afinal os garotos estão crescidos), podendo ser mais assustador ainda.

Após grande sucesso do filme nos cinemas, surgiram alguns fatos interessantes:

– Houve uma certa comemoração após a produção atingir a sinistra marca de US$ 666 milhões arrecadados (324 nos EUA e US$ 342 no resto do mundo) 👹🎈

– Fãs lançaram campanha para o filme ser indicado ao Oscar em várias categorias. Particularmente, torço para ao menos uma indicação na categoria de melhor roteiro adaptado 🏆🎈

– O diretor divulgou que havia retirado uma cena pesada, onde uma mãe entrega seu bebê para o palhaço se alimentar, em troca de segurança. A boa notícia é que ele está pensando em incluir essa cena na sequência (que já começou a ser produzida) 😨🎈

Tags Relacionadas a coisa, Andrés Muschietti, Bill Skarsgård, crítica, filme de terror, it, livro, Pennywise, resenha, Stephen King, terror
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