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Quando você pensa em alguém adaptando, para os cinemas, o livro Jogador Nº 1, romance de 2011 de Ernest Cline, com certeza Steven Spielberg deve ser a primeira opção. Assim eu mesmo pensei, apesar de já saber que o mesmo estava produzindo o filme, quando li a obra. E que bom que assumiu logo a direção! Nas mãos deste cineasta que influenciou muito a própria obra de Ernest Cline, o resultado é mais que fabuloso. Agora, Spielberg que é influenciado pela obra quando adapta a história e transmite às telonas como um agrado certeiro a todo o tipo de público. Algo que ele sempre soube fazer bem, agradar a muitos.

Junto com outros filmes lançados nos anos 80, as produções de Spielberg inspiraram bastante o autor do livro. Temos assim uma bela história de ficção, futurista, mas que nos remete bastante à cultura anos 80, uma homenagem ao Nerd que há em cada um de nós. São tantas referências, muitas explícitas, outras escondidas – para citar um termo muito usado hoje em dia, “Easter Eggs” – que é um deleite assistir a cada milissegundo do filme (ou ler cada parágrafo do livro). Muito difícil que alguém passe por essa experiência e não identifique algum personagem do qual é fã.

Junto com Zak Penn, Ernest Cline escreve o roteiro para o filme. Apesar de um grande cineasta estar à frente da produção e direção, o escritor merecia estar ali para ajudar no resultado. Para quem teve o privilégio de ler, vai perceber que o trabalho de adaptação é bastante fiel, embora o nível dos desafios no filme tenha ficado simples (simples até demais) e, também, deixou de usar principalmente o conteúdo de filmes da década de 80 e alguns jogos do Atari e Fliperama. É uma adaptação e Spielberg não quis seguir todo o script, com Ernest Cline assinando embaixo. Assim, não é como uma obra de Stephen King que foi adaptada e gerou ódio no escritor (mesmo que o filme tenha agradado)… fica aqui esse meu Easter Egg para os conhecedores de Stephen King, que provavelmente só será revelado a vocês quando virem o filme Jogador Número 1 😉

A narração inicial e primeira entrada no Oasis são poucos minutos para resumir muito bem o cenário deste mundo virtual e seu alcance. Aos poucos vão entrando músicas de Van Halen, George Michael até Tears For Fears, combinando muito com as cenas e o clima de nostalgia que o filme passa. E com um elenco quase todo de jovens e até infantil que só agrada, estrelado por Tye Sheridan, Olivia Cooke, Ben Mendelsohn, T. J. Miller, Simon Pegg e Mark Rylance.

O filme e o livro não são meramente um monte de referências soltas à cultura pop. O uso desses ingredientes, além de homenagear, são um pano de fundo para uma grande história de ficção, futurismo, que levanta discussões como a importância da realidade em equilíbrio com a importância da fantasia (o virtual). Um despertar do desejo pelas descobertas, representadas pelos milhares de Easter Eggs apresentados, muitos explicados pelos personagens e muitos outros que vão exigir atenção e experiência dos espectadores.

Além de mudar e até ampliar as referências, o filme tem muitas cenas no mundo real, aproveitando bem os atores e deixando o suspense em alta (já que ali a morte não é somente um game over onde você pode recomeçar do zero). As referências são usadas para dar mais sentido ou engrandecer as cenas e existem muitas referências banacas ao cinema. Apesar do livro usar melhor os filmes dos anos 80 e parecer mais como um grande jogo de RPG, gerando um desafio maior aos personagens, o filme ao menos cita bastante e utiliza alguns filmes nas cenas, e representa perfeitamente o universo virtual do Oasis. Não vou citar aqui os filmes, quadrinhos, desenhos, games, músicas, RPG’s, animes, que reconheci no filme, deixarei o espectador ser invadido por essa nostalgia a cada cena, sem estragar a beleza da surpresa.

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