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Sem dúvida vale a pena saber mais a respeito de Winston Churchill, seja através de leituras, seja através de filmes. Figura notável e respeitada, foi um político conservador britânico, famoso principalmente por sua atuação como primeiro-ministro do Reino Unido durante a Segunda Guerra Mundial. Chegou a ser o primeiro-ministro britânico por duas vezes (1940-1945 e 1951-1955) e também oficial no Exército, historiador, escritor e artista. Recebeu o Prêmio Nobel de Literatura e a cidadania honorária dos Estados Unidos.

Essa adaptação não se propõe a mostrar a vida de Churchill, mas sim um recorte de um momento crítico na história do Reino Unido, num momento histórico dos mais lembrados pela humanidade, a Segunda Guerra Mundial, onde ele assumiu o papel de primeiro-ministro quando os grandes dirigentes do Reino Unido já estavam jogando a toalha e se dando por vencidos pela Alemanha. É interessante e vai na linha do título original do longa “Darkest Hour” (Hora mais escura).

Este filme poucas vezes mostra cenas da guerra, mantendo nossa atenção nessa batalha interna que o personagem precisou fazer com os seus pares, dirigentes que não queriam se arriscar e assumir a responsabilidade. Mostra um outro lado da batalha de Dunquerque que vimos no excelente Dunkirk (2017), de Christopher Nolan, um dos melhores filmes do ano. Aqui vemos como Churchill foi influente e determinante para o sucesso da retirada das tropas inglesas de Dunquerque e também uma explicação de forma despretensiosa sobre o nome da operação (“Dínamo”). O melhor é que o filme não cai na armadilha de exaltar demais o personagem, mostrando um Winston Churchill complexo, que também erra, o que combina com uma frase famosa dele: “Quem nunca muda de ideia, nunca muda em nada”. Ele assume o cargo de forma indesejada pelos demais colegas e quase que acidental.

Gary Oldman mais uma vez cumpre o papel de forma majestosa, merecendo ao menos uma indicação ao próximo Oscar. A maquiagem é outro ponto forte, deixando-o quase irreconhecível, mais velho e parecido com o Churchill da época. Mesmo que alguém não goste do filme, não tem como não admirar a atuação deste grande ator que recebeu uma indicação pelo papel de George Smiley no filme O Espião que Sabia Demais (2011), adaptação do livro clássico de John le Carré. Os demais personagens possuem um peso menor, embora alguns tenham destaque como sua esposa Clementine (Kristin Scott Thomas) e o Rei Jorge VI (Ben Mendelsohn), além de alguns poucos personagens que só aparecem numa cena bacana representando o povo. Lily James possui como uma beleza em tela impressionante, mas sua personagem fica meio vaga na trama.

O diretor Joe Wright já fez boas adaptações literárias em Orgulho e Preconceito (2005), Desejo e Reparação (2007) e Anna Karenina (2012). Ele consegue representar bem esse momento histórico e o ambiente político tradicional da Inglaterra na década de 1940. A produção trás imagens e planos impressionantes, mais de uma vez a câmera começa num ambiente pequeno e sobe para o alto dando uma visão panorâmica e perspectiva mais aberta ao espectador, graças ao diretor de fotografia francês Bruno Delbonnel, também de O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (2001).

Churchill nos mostra que o imperfeito pode ser gigante. E que um grande dirigente deve saber liderar em tempos de paz e de guerra. Ele foi um grande estrategista na guerra e deixou frases e ensinamentos marcantes como: “Nações que caem lutando podem se erguer depois da derrota. Nações que se rendem fracassam para sempre.”. Por fim, deixo as palavras do poeta Horácio que surgem num momento clímax do filme:

“Não pode um homem ter melhor morte que:
Lutando contra o desconhecido
Pelas cinzas de seus pais e
Pelos templos de seus deuses!”

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