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Bette Davis é Jane Hudson, uma artista que alcançou a fama quando menina e ficou conhecida como “Baby Jane”. Agora envelhecida e distante do público há muitos anos, vive encerrada em uma mansão com sua irmã, Blanche Hudson (Joan Crawford) desde um acidente que selou a sorte de ambas, terminando a carreira brilhante de Blanche e acelerando a decadência geral de Jane. Disposta a brilhar nos palcos novamente, Jane volta à Baby Jane, passando por cima de tudo e de todos para atingir seu objetivo.

Mas o que houve?:
Um filme que começa com uma pergunta. O que teria acontecido para a estrela mirim Baby Jane crescer e se tornar amargurada e aparentemente maléfica? Na interpretação espetacular de Bette Davis, estamos diante de um filme que me prendeu a atenção, com boas cenas de suspense e certa agonia, que me recordaram um pouco o filme Louca Obsessão (“Misery”, EUA, 1990), mais um bom suspense com excelente interpretação de Kathy Bates (uma de minhas atrizes favoritas).

O diretor Robert Aldrich reproduziu com competência toda a atmosfera do “calvário” de Blanche sob a guarda de sua irmã insana, Jane. Desde criança, Jane mostrara-se mimada e incapaz de lidar com decepções, rejeições e de ser coadjuvante naquela família. Quando mais velha, embriagada, Jane atropela Blanche e a coloca em uma cadeira de rodas acabando definitivamente com seus sonhos de estrelato no cinema. Talvez pelo sentimento de culpa, ou por falta de opções, ela cuida e envelhece junto com a irmã. Só que Jane acaba caindo em decadência no estrelato e, talvez por isso, dedica seus dias a atormentar a indefesa irmã aprisionada no segundo andar (irmã esta que ainda é bem lembrada pelos fãs). Apesar de ser difícil deixar de julgar negativamente a insana Jane, não sabemos se seu comportamento é conseqüência de sua decadência como atriz, de sua velhice e os problemas mentais que vem com isso, de sua amargura por ter que cuidar da irmã ou até por pura maldade. Bette Davis abraça a personalidade de Jane mais velha, arrastando propositadamente os pés no assoalho e irritando com a sua estridente risada, mas não necessariamente provoca ódio no espectador, pois em alguns momentos podemos sentir até pena da mesma.

As atuações de Bette Davis e Joan Crawford são elementos fundamentais para sustentar a narrativa, sem deixar de mencionar a atuação de Victor Buono como o pianista fracassado Edwin (indicado ao Oscar como ator coadjuvante). Interessante que as duas atrizes, famosas também por serem grandes inimigas nos bastidores, neste filme duelam nas telas (tanto em atuação em si, quanto no fato de encarnar personagens que brigam entre si).

Joan Crawford, por outro lado, no pele de Blanche, está presa e obrigada a reagir com pavor às ofensas da irmã e quase implorando piedade. Disto, sente-se a dor de Blanche não pelo sofrimento e olheiras fundas, mas pelas ações desproporcionais de Jane. Um filme que surpreende, até porque não necessariamente as coisas são o que parecem. Afinal, o que terá acontecido a Baby Jane?

__________________________________
Fontes:
http://www.cinemacomcritica.com.br/2012/06/o-que-tera-acontecido-baby-jane.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/What_Ever_Happened_to_Baby_Jane%3F

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