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Os adultos de hoje lembram facilmente dos desenhos do Pica-Pau. O personagem foi criado em 1940 pelo artista Walt Lantz, tendo muitas animações produzidas pelo estúdio do próprio artista e distribuídas pela Universal Pictures. É o personagem pássaro de desenho animado mais famoso do mundo. Agora, anos depois do sucesso do desenho, resolveram fazer um filme live-action misturado com animação gráfica, para mostrar esse personagem peculiar. Dirigido por Alex Zamm e escrito por Dave Krinsky e John Altschuler.

Uma das poucas coisas que o filme tem de bom é o próprio Pica-Pau. Na dublagem de Eric Bauza, o personagem realmente se parece bastante com a versão mais conhecida do pássaro nos desenhos. A personalidade inquieta, como uma criança que sempre apronta e fala sozinho, enérgico e cheio de fome, infernizando a vida dos outros, ficou bem caracterizada e fiel. Embora o personagem infernize de verdade e sem muito motivo no desenho, neste filme isso ocorre como um mecanismo de defesa, pois ele está com a vida e lar ameaçados, caçadores invadem a floresta atrás de espécies raras para comercializar e uma família ainda tenta construir uma casa moderna bem onde ele mora. Essa é a desculpa perfeita para mostrar o Pica-Pau infernizando a vida dos humanos no filme.

A escolha de introduzir o personagem através de efeitos visuais como uma pequena animação dentro de um filme com atores reais, não me pareceu cair bem. O resultado ficou estranho, quanto mais quando a sonoplastia dos barulhos que o personagem produz, se mostra visivelmente dessincronizada, trabalho pouco cuidadoso neste aspecto. Neste ponto, lembrei de uma referência inesquecível, que funcionou perfeitamente e foi produzido em 1988: “Uma Cilada Para Roger Rabbit”. Talvez se tivesse optado por um filme 100% animado e, claro, caprichado no humor, teríamos um resultado melhor.

Cheguei a pensar que este filme do Pica-Pau seria um entretenimento para os adultos de agora (público que de fato conhece o personagem), mas as piadas e cenas do filme falham muitas vezes na tentativa de serem engraçadas. Considerando que as crianças de hoje são bem exigentes (principalmente as brasileiras, como disse o personagem de Vladimir Brichta no filme Bingo, e olha que isso já era na década de 1980), é provável que este nem seja uma diversão garantida para os menores.

Um fato curioso é que a primeira versão do Pica-Pau mostra ele como um pássaro louco, até sua aparência era estranha. Com o tempo, sofreu mudanças no seu visual e se tornou até agradável, gerando empatia do público. Tem um momento até interessante no filme, quando um personagem explica a origem do Pica-Pau como a reencarnação de um demônio que inferniza e destrói, algo assim. Existem muitas mensagem subliminares nos desenhos que deixam o personagem bem sinistro. Mas este filme vai pelo lado bom, passa até o alerta a favor da convivência das espécies (humana e animal), que pode ocorrer de forma saudável. Apela, também, para a importância de cuidar da natureza e respeitar os animais. O personagem principal, por sinal, é uma espécie quase em extinção no filme e que deseja fazer parte de uma família. Assim fica fácil torcer por ele, o que não ocorria muito nos desenhos, por sinal eu sentia pena dos outros personagens.

O primeiro duplador nos Estados Unidos foi Mel Blanc, seguido por Ben Hardaway, um dos criadores do desenho, e mais tarde por Grace Stafford, esposa de Walter Lantz. Mas os brasileiros se acostumaram mesmo com a dublagem nacional e fica um parabéns a Eric Bauza por este trabalho aqui no filme. Aproveito e desejo sucesso e deixo um obrigado a todos os grandes dubladores nacionais! Por fim, um fato divertido mesmo foi ver a atriz brasileira Thaila Ayala, que está neste filme, dublando ela mesma na versão dublada.

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