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Retrato da modernização da Tailândia e as síndromes do século, através de situações em um hospital, dividido em duas partes, uma no campo e uma na cidade. Roteiro e direção de Apichatpong Weerasethakul.

A transição e as síndromes:
Situações aparentemente insignificantes ganham um grande significado nesta obra cinematográfica do diretor tailandês Apichatpong Weerasethakul. A reflexão cuidadosa sobre as partes e sobre o todo do filme deixa uma sensação de felicidade sobre a vida, onde é colocado como primeiro plano as pessoas com suas diversidades. O mundo é coadjuvante. As pessoas, protagonistas.
Estruturado em duas partes, uma no campo e uma na cidade, mas usando os mesmos personagens e ambiente – um hospital – e mantendo uma pequena semelhança entre elas, podemos imaginar que são manifestações de duas realidades distintas, duas vidas, com forte conexão entre si. As síndromes manifestadas pelas pessoas é a ligação entre essas duas partes. Os personagens são os mesmos… e não o são, já que caminhos e decisões diferentes foram tomadas. Os diálogos e as imagens são os grandes pontos fortes do filme. São simples e, ao mesmo tempo, importantes demais. Uma boa dose de humor pode ser vista nas conversas, principalmente na primeira parte, como se a leveza da graça fosse reduzida na segunda, assim como as relações (um amor platônico na primeira é substituído por um namoro firme e sexualmente intenso na segunda). Algumas conversas são divertidas a ponto de causar muito riso e, dessa forma, conquistar o espectador logo no início. Ainda assim, não prejudica a seriedade do filme.
O cenário de um hospital na Tailândia, em ambas as partes do filme, é palco perfeito para mostrar as relações. Na primeira, ele está no meio da selva, em época de guerra, já na segunda ele está no meio da cidade desenvolvida, a capital Bangkok, dando a entender que está numa época posterior. Pessoas desconhecidas passam a interagir, cada uma com suas crenças, seus vícios. Personagens e situações se repetem, mas existem pequenas mudanças nos diálogos e nas reações. Em ambos os momentos, percebemos fortemente a realidade tailandesa onde se manifestam o budismo e a medicina tradicional. A segunda parte só não repete, de fato, a primeira, porque mostra outras percepções, mas lá estão as mesmas síndromes.
Uma doutora atende um velho monge budista, que está em busca de remédios para se livrar de seus pesadelos, mas acaba que, no meio da conversa, o paciente oferece à médica algumas ervas, para ela fazer um chá de cura e restauração. Cada um ajuda o outro da maneira que sabe, tratamentos distintos para as mesmas síndromes. Existe uma amizade entre um médico e um monge, e este último confessa ao médico que queria ser DJ. Na segunda parte, a relação entre o médico e o monge é tão fria que não existe diálogo, o dentista atende ao monge sem falar nada, fechado em sua máscara antisséptica.
A bela imagem de um eclipse vai marcar a transição entre as duas partes do filme, mas o que vai mais impactar é perceber as diferenças em torno das mesmas síndromes. Amor e vidas passadas aparecem em boas doses, mas as relações mudam. A experiência de vida do diretor, que passou a infância em um hospital da província de Khon Kaen, garante a fidelidade ao trazer as situações para contemplarmos a magia da vida através das cenas. Dizem que há uma semelhança com um de seus filmes anteriores, “Mal dos Trópicos” (2004), muito recomendado pelos críticos.

__________________________________
Fontes:
http://omelete.uol.com.br/filmes/criticas/sindromes-e-um-seculo/#!key=24455
http://www.contracampo.com.br/83/mostrasindromeseumseculo.htm

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