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Até o momento, este filme representa o mais próximo que o cinema nacional pode chegar de Cinema Paradiso (Itália, 1988). A produção é baseado no livro "Um pai de cinema" de Antonio Skármeta, escritor chileno que também tem “O carteiro e o poeta”. Na história, o jovem Tony decide retornar a Remanso, Serra Gaúcha, sua cidade natal. Ao chegar, ele descobre que Nicolas, seu pai, voltou para França alegando sentir falta dos amigos e do país de origem. Tony acaba tornando-se professor e vê-se em meio aos conflitos e inexperiências juvenis.

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Em 1946, o jovem e bem-sucedido banqueiro Andrew “Andy” Dufresne (Tim Robbins) é sentenciado a duas penas consecutivas de prisão perpétua pelo assassinato de sua esposa e de seu amante, a serem cumpridas na Penitenciária Estadual de Shawshank, no Maine, comandada pelo religioso e cruel agente penitenciário Samuel Norton (Bob Gunton). Rapidamente, Andy se torna amigo de Ellis “Red” Redding (Morgan Freeman), interno influente, também sentenciado à prisão perpétua, que controla o mercado negro do presídio. Ao longo das quase duas décadas de Dufresne na prisão, ele se revela um interno incomum. Dirigido por Frank Darabont.

“Somos todos inocentes”:
A liberdade e a esperança são tão vivas no filme que podem ser consideradas duas personagens interligadas. A humanidade e sua relação com esse sentimento de liberdade é tratada sob algumas óticas neste drama emocionante, com uma história bem elaborada, roteiro bem adaptado a partir de uma obra interessante, direção e atores excelentes. A trama a princípio é simples, mas possui reviravoltas surpreendentes e se revela com uma profundidade fantástica. É o que se pode resumir da sensação em relação a este que é um dos melhores filmes já exibidos.

Tim Robbins faz uma ótima atuação, interpretando Andy Dufresne, pessoa de personalidade fantástica e inspiradora, representando a esperança, entre outras coisas. Como se não bastasse, contracena com Morgan Freeman, que recebeu uma indicação ao Oscar de melhor ator interpretando o presidiário veterano Red, personagem contraditório que representa, entre outras coisas, o costume. Apesar de Freeman ter em sua carreira inúmeras indicações, Tim Robbins acabou saindo na frente quando recebeu o Oscar de melhor ator coadjuvante por seu papel perfeito no filme “Sobre Meninos e Lobos” (“Mystic River”, 2003), sendo que Freeman ganhou o mesmo prêmio em “Menina de Ouro” (“Million Dollar Baby”, 2004). Talvez se tivesse um prêmio de melhor dupla, eles ganhariam em 1995.

A narração é feita por Red, uma escolha certeira tanto para o livro, quanto para o filme. Interessante ver as coisas pela interpretação dele, inclusive a própria mudança pela qual passa. Dessa forma também analisamos o personagem Andy sem saber se ele é culpado ou não pelo crime, já que as cenas iniciais são duvidosas. Com o passar da história, muitas lições podem ser presenciadas. Todo homem deseja ser livre, porém o costume na prisão acaba fazendo com que se tenha medo do mundo lá fora, mesmo com toda a angústia dos primeiros dias na prisão, bem representada no filme. Ser prisioneiro de algo, mesmo que seja do próprio medo, mostra que existe a liberdade física e a liberdade interior, mostradas numa narração e cenas caprichadas e com uma direção madura de Frank Darabont.

Segundo o personagem: “Primeiro você detesta esses muros, depois se acostuma a eles até que você precisa deles”. A saída da cadeia se transforma em uma nova prisão, de medo e incertezas. O ex-presidiário é um ninguém, sem amigos, família ou futuro digno. A forma como o filme nos traduz o que a prisão faz com a vida de um ser humano é tanto perturbadora quanto bela. Nos envolvemos com os presidiários, sem precisar saber o motivo de estarem ali (todos dizem “Somos todos inocentes”), e passamos a vê-los como seres humanos não tão diferentes de nós mesmos.

O roteiro é uma adaptação do conto “Rita Hayworth e a Redenção de Shawshank”, uma das quatro histórias do livro “Quatro Estações”, de Stephen King. Muitas histórias de King foram adaptadas para o cinema, embora a maioria delas sejam de terror, e podemos ver muitas adaptações ruins, mas não é o caso de “Um Sonho de Liberdade”, até porque o diretor Frank Darabont parece ser a melhor opção para os filmes adaptados das obras de Stephen King. Neste caso, ele também ficou responsável pela adaptação do roteiro. Dirigiu outras 3 adaptações de obras do escritor: “The Woman in the Room” (1983), “À Espera de um Milagre” (“The Green Mile”, 1999) e “O Nevoeiro” (“The Mist”, 2008). Estes dois últimos tiveram um resultado excelente e também foram relativamente fieis à obra.

“Um Sonho de Liberdade” foi indicado ao Oscar nas categorias de melhor filme, melhor ator (Morgan Freeman), melhor roteiro adaptado, melhor fotografia, melhor som, melhor edição e melhor trilha sonora. Uma pesquisa do jornal Independent apontou este como o filme mais injustiçado da história do Oscar, sendo que em seguida ficou “À Espera de um Milagre”; talvez tenha sido o azar de competir com “Forrest Gump: O Contador de Histórias”. Mesmo assim, ocupa o 72° lugar na “Lista dos melhores filmes estadunidenses” do American Film Institute e é considerado por muitos críticos como o melhor filme da história. Na lista do The Internet Movie Database (IMDb) ocupa a primeira posição, com o maior número de votos, superando grandes clássicos como “O Poderoso Chefão”, “Cidadão Kane” e “E o Vento Levou”.

A amizade é tratada como a chave para a liberdade plena, os dois personagens estabelecem uma amizade entre si que inspira a sobrevivência de ambos. A persistência e inteligência entram como parte da solução. E o diretor, nos momentos finais, nos dá quase que um presente inesperado, pois podemos imaginar que o filme caminharia para algo comum, mas acaba que a trama é direcionada para algo surpreendente e, ao mesmo tempo, gerando grandes emoções positivas.

“Não faço a mínima ideia do que
aquelas duas italianas cantavam.
Na verdade, nem quero saber.
É melhor não tentar explicar tudo.
Quero imaginar que seja algo tão belo que não…
pode ser expresso em palavras…
e faz seu coração se apertar… com a música.
Aquelas vozes voaram mais alto…
e mais longe do que se pode imaginar num lugar cinzento.
Era como um belo pássaro que voou para a nossa gaiola…
e fez os muros se dissolverem.
E, pelo mais breve momento…
cada homem de Shawshank se sentiu livre.”
Red

“- Valeu a pena ter ficado duas semanas na solitária?
– Dessa vez foi a mais fácil.
– Nunca é fácil ficar na solitária. Uma semana lá é como um ano.
– Acertou na mosca. Mas essa semana Mozart ficou comigo.
– Deixaram você levar o toca-discos para lá?
– Estava aqui (aponta para o cabeça). E aqui (aponta para o coração).
É por isso que a música é bela. Eles…
não podem tirá-la de você.”
Andy

__________________________________
Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/The_Shawshank_Redemption
http://ultimosegundo.ig.com.br/cultura/cinema/2013-02-10/um-sonho-de-liberdade-e-escolhido-o-filme-mais-injusticado-pelo-oscar.html
http://www.cinepipocacult.com.br/2012/03/um-sonho-de-liberdade.html
http://ccine10.blogspot.com/2011/12/um-sonho-de-liberdade-critica-na.html

Tags Relacionadas crítica, Frank Darabont, melhor filme, Morgan Freeman, resenha, Stephen King, Tim Robbins
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