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Quando descobre que seu marido tem pouco tempo de vida, Trudi não sabe se deve contar a ele a verdade. Em vez disso, ela decide planejar com Rudi uma viagem, para que aproveitem bem estes últimos momentos juntos. Sonhando conhecer o Japão, país pelo qual é apaixonada, a mulher decide que este será o destino do casal, mas que antes eles irão até Berlim, para fazer uma última visita a seus dois filhos que moram lá. Dirigido por Doris Dörrie.

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Vidas ao Vento (“Kaze Tachinu”, Japão, 2014)

Eu indico
Kaze Tachinu (Japão, 2014)
Jiro Horikoshi vive em uma cidade no interior do Japão. Um dia, ele tem o sonho de estar voando em um avião com formato de pássaro. A partir desse sonho, ele decide que construir um avião e colocá-lo no ar é a meta da sua vida. Durante a busca pelo seu sonho ele conhece Naoko, uma jovem encantadora por quem se apaixona. No entanto, Naoko fica profundamente doente, sem saber se sobreviverá. Dirigido por Hayao Miyazaki.
Le Vent se Lève – COM ALGUNS SPOILERS “AO VENTO”:
Nesta animação madura e romântica, o diretor segue uma narrativa diferente em relação aos seus filmes anteriores, não lidando com o quesito fantasia; pelo contrário, trata-se de uma cinebiografia – muito bem contada – em forma de animação, mostrando a vida de Jirô Horikoshi, um visionário designer de aviões no Japão, que criou o chamado “Zero” (Mitsubishi A6M Zero), um modelo que a marinha acabou usando como máquina de guerra. Bastante delicado e, ao mesmo tempo, chocante, o filme mostra um lado que muitas vezes não enxergamos, de pessoas que influenciaram na guerra, mas tinham intenções completamente diferentes. O Japão já estava em guerra com a China e acabou ao lado dos Alemães na Segunda Guerra, sendo assim um país muito julgado, assim como a figura de Jirô Horikoshi, que foi de fato o criador do modelo que foi usado pelos Kamikazes para destruir a base naval americana Pearl Harbor. O filme tenta humanizar personagens reais. Desde garoto, Jirô admira o lendário designer italiano Caproni, criador do modelo que se tornou conhecido como Ghibli (palavra líbia que designa o vento do deserto, e que virou o nome da empresa produtora de Miyazaki), tentando então realizar seu sonho de criar algo belo e útil, mesmo se atormentando com a tendência da marinha em utilizar seus aviões como armas de guerra. Isso fica claro quando ele explica que o peso das armas vai influenciar negativamente no projeto, e mostra sua vontade – junto com Caproni – de criar um meio de transporte útil, para o máximo de pessoas possíveis.
Ao mesmo tempo, ele conhece o amor de sua vida, garantindo muitas cenas singelas e românticas. A forma como Jirô e Naoko se conhecem e se reencontram, anos mais tarde, é simplesmente poética e apaixonante. Mas junto com isso vem a doença da garota, que sofre de tuberculose e tenta a cura num hospital na montanha. Os aviões matam assim como a doença, o corpo da amada sofre junto com a alma do designer, que precisa conviver com a expectativa de perda de sua amada, junto com as atrocidades da guerra. O romance “The Wind Has Risen” (1937), de Hori Tatsuo, que se passa em um sanatório para tuberculosos em Nagano, no Japão, serviu de base para contar o relacionamento de Jirô e Naoko. São muitas inspirações para o filme, inclusive o próprio Miyazaki, quando garoto, viu a mãe morrer de tuberculose. Ele tinha parentesco com pequenos industriais ligados à aeronáutica e os aviões foram sua primeira paixão.
É um desenho para adultos por se tratar de um tema sério, mas também para crianças que precisam amadurecer, inclusive trazendo conhecimentos da história do Japão e da história mundial no contexto da segunda grande guerra. O grande terremoto que devastou Tóquio em 1923, por exemplo, pode ser contemplado no filme. Outros detalhes, como a inspiração que o designer usou para criar o formato do avião (uma espinha de peixe), assim como as metáforas que usam o vento o tempo todo, permeiam a trama. O título em francês, “Le Vent se Lève”, vem de um poema de Paul Valéry e a citação completa é feita em francês mesmo, pelo protagonista e sua amada: “Le vent se lève, il faut tenter de vivre” (O vento se ergue, é preciso tentar viver). Esta é a grande lição do filme, já que junto com a criatividade e inteligência humanas, vem a lamentação com a nossa capacidade de usar a ciência para destruição, de maneira que devemos estar cientes, mas também saber seguir em frente com nossas vidas.
Também precisamos destacar a parte técnica e artística, já que as cores, profundidade, desenho das cidades, aviões, trens e todo o cenário são impecáveis. Junto com efeitos sonoros e uma trilha musical predominante, tudo se complementa com facilidade. A trilha é de Joe Hisaishi, que trabalhou com o diretor em “Princesa Mononoke” e “A Viagem de Chihiro”.
É essencial conferir este filme de animação do diretor e desenhista japonês Hayao Miyazaki, que anunciou sua aposentadoria para o cinema recentemente (esta pode ser a sua última contribuição para a sétima arte). É comum este diretor receber prêmios no Japão de melhor filme de animação: “A Viagem de Chihiro” (2001) levou a estatueta do Oscar e, em 2004, “O Castelo Animado”, minha animação preferida, foi indicado. Normalmente lidando com o desenho na sua forma tradicional, sem uso de muitos efeitos especiais, suas animações possuem tanto a parte da arte impecável, quando uma bela e profunda dramatização, sempre com uma crítica ou mensagem, deixando este diretor como um dos mais famosos no gênero. Mesmo humanizando um personagem que criou aviões que foram usados para devastar, não impediu que o filme “Vidas ao Vento” recebesse uma indicação como melhor animação neste Oscar mais recente. Talvez a mensagem tenha sido compreendida, a mensagem de paz (também tratada na animação “O Castelo Animado”), seja a paz mundial, seja a paz de espírito. O vento se ergue, é preciso tentar viver.

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