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Após o excelente Corra! (Get Out, 2017) que chegou a ganhar o Oscar de melhor roteiro original, conquistando por levantar a questão racial dentro de um filme de terror, altas expectativas foram levantadas a respeito deste novo filme do Jordan Peele. E, mais uma vez, o diretor, roteirista e produtor acerta em cheio. Ele entrega um ótimo filme de horror, mais um suspense, que incomoda pela crítica social embutida nas cenas tensas e bom teor de violência.

Não gosto de arriscar comparar com o filme Corra! Este novo filme mantem a marca impressa pelo diretor deste o anterior e ainda consegue surpreender àqueles que apostaram em mais um filme de terror com doses de comédia fazendo outra crítica com a questão racial. Contudo, ele tem outro viés não menos interessante. Da lógica que o trailer entrega, em enfrentarmos o nosso maior inimigo (uma versão maléfica de nós mesmos), para o que se apresenta no filme, existe uma expansão, assim não estamos diante de mais um filme no qual o trailer entrega o que há de melhor. Precisa ser visto sem desculpas!

Existe uma violência a domicílio forte na trama, que parece não acabar mais desde que a situação toma forma e isso é bom para manter o espectador desperto. Um verdadeiro Survivor Movie! As mulheres arrasam nas cenas mais fortes e a atuação de Lupita Nyong’o é impressionante, seja na forma normal ou na forma maléfica. Ela sabe ser carismática na protagonista e aterrorizante na antagonista. Todo o elenco está muito bom, até o pai da família (Winston Duke) que é o alívio cômico. Uma atenção especial para a coadjuvante de peso Elisabeth Moss, que já havia ficado no topo com sua atuação na série O Conto da Aia (The Handmaid’s Tale).

Tentando explicar a dimensão do roteiro e citando algumas referências que o filme faz – SPOILER SEM REVELAÇÕES (NÃO VOU ENTREGAR O FINAL):

Existe um apelo para voltarmos a atenção para os nossos próprios defeitos. “Find Yourself” é o nome da atração no parque de diversões do filme (por sinal, muito legal o uso da sala dos espelhos). Na figura das cópias dos personagens que são uma espécie de desfavorecidos, espelhados em nós que, no final das contas, poderíamos ter nascido na pele de qualquer pessoa desfavorecida, seja por questão de renda, racismo ou preconceito… a questão da segregação é fácil de perceber, assim como uma crítica a nossa sociedade que encontra uma zona de conforto com certos privilégios e passa a se sentir ameaçada nessa trama. E isso tudo culmina em violência… que gera mais violência.

Além disso possui referências banacas a Thriller, de Michael Jackson, ao filme clássico de horror Tubarão (1975), de Steven Spielberg e provavelmente a outros que não devo ter percebido. É só prestar atenção nas camisetas de alguns personagens. Também existe uma citação do filme Esqueceram de Mim que soa como piada, afinal trata-se de um filme que representa uma família americana rica e privilegiada.

“Portanto assim diz o Senhor: ‘Eis que trarei mal sobre eles, de que não poderão escapar; e clamarão a mim, mas eu não os ouvirei.'”
Jeremias, 11:11

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