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Com a proximidade do Oscar, faço uma reflexão e indico os 10 melhores filmes produzidos em 2014, os quais tive a feliz oportunidade de assistir. Você pode ver a resenha que fizemos de alguns dos filmes clicando no título.

Tarde demais (“The Heiress”, EUA, 1949)

Eu indico
The Heiress (EUA, 1949)

Catherine (Olivia de Havilland), uma jovem boa, vive um drama, pois seu pai não deixa que ela se relacione com ninguém. Ele faz de tudo para mantê-la presa, inclusive dizendo que ela é feia, ao contrário de sua mãe morta. Até que surge Morris Townsend (Montgomery Clift), que se interessa por ela. Mas o pai tentará impedir o romance dizendo que o único interesse que o rapaz tem é no seu dinheiro. Dirigido por William Wyler.

A Herdeira:
Este filme, premiado com o Oscar de melhor atriz (Olivia de Havilland), direção de arte, figurino e trilha sonora, possui um ótimo roteiro e é altamente recomendável. A direção de William Wyler é muito boa e os quatro principais atores, Olivia de Havilland, Ralph Richardson, Montgomery Clift e Miriam Hopkins estão ótimos em seus papéis, com destaque para os dois primeiros. Olivia de Havilland excede as expectativas, é a mesma atriz que fez o papel coadjuvante de Melanie em “…E O Vento Levou” (1939), no qual teve a sua primeira indicação ao Oscar.
Catherine Sloper, a herdeira do título original, é uma jovem doce mas sem muita beleza ou classe. Tímida, ingênua, nem sabe dançar para aparecer bem nos bailes. Mesmo sendo filha de um rico viúvo, o Dr. Austin Sloper, os pretendentes costumam por evitá-la. Seu pai é um médico muito rico e importante, um homem dedicado às aparências. Eles moram num palácio na Washington Square (que inspirou o título do romance que deu origem à peça teatral antes do filme), que fica bem no início da Quinta Avenida, em Nova York, símbolo de status social na cidade que se firmava como a grande metrópole americana. Neste contexto surge um rapaz bonito, elegante, Morris Townsend (Montgomery Clift era um jovem ator em ascensão, e neste filme cumpre também um papel importante com sua atuação), que rapidamente se interessa por Catherine, e ela corresponde ao rapaz. Morris não esconde de ninguém que não possui fortuna e é desempregado. Para Catherine, a sua sinceridade é um indicativo de honestidade. Já o seu pai reprova a união de cara, justificando que o rapaz está interessado somente na riqueza dela.
O melhor do filme é o fato de que as coisas não ficam muito claras, pelos acontecimentos que surgem a partir daí, e pelo comportamento do rapaz. Não sabemos se ali existe uma paixão verdadeira ou se, de fato, ele está interessado na herança (ou talvez as duas coisas). Catherine, cada vez mais apaixonada pelo rapaz, praticamente tem que escolher entre o seu amor e o seu pai, além de lutar para acreditar que o rapaz está realmente interessado nela e não no que ela possui. Reviravoltas interessantes e um final inesperado e com muito significado.
Com roteiro de Augustus Goetz e Ruth Goetz, o filme é uma adaptação da peça teatral dos roteiristas, tendo sido um grande sucesso na Broadway, por sua vez baseada na novela Washington Square, de Henry James (1843-1916). Possui um estilo clássico, com os bailes tradicionais da época, ambientado na classe alta de Nova York pelo século XIX, e representa muito bem os costumes, comportamentos e preocupações dessas famílias da alta sociedade da época, onde tudo gira em torno das aparências, da beleza exterior e da riqueza. A prioridade é um bom casamento e uma união de bens vantajosa para todos.
– “Uma criatura inteiramente medíocre e indefesa, sem nenhum porte.”
(Dr. Austin Sloper, se referindo à sua filha)
– “Morris precisa ficar comigo! Morris vai me amar por todos aqueles que não o fizeram!”
(Catherine, escancarando seus sentimentos)
__________________________________
Fontes:
http://www.70anosdecinema.pro.br/461-TARDE_DEMAIS_(1949)
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