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Durante um jantar, oito amigos começam a falar sobre a proximidade de um cometa, e sobre os rumores de que a passagem deste é capaz de trazer mudanças graves no comportamento das pessoas. Logo após a discussão, a luz acaba e estranhos fenômenos começam a acontecer com os convidados, questionando a noção de realidade. Dirigido por James Ward Byrkit.

Coerência:

James Ward Byrkit já causa boa impressão, assumindo também o roteiro e cedendo a própria sala de estar para o cenário principal, onde quase todo o filme se passa. Com uma abordagem em torno de uma temática comum em filmes de ficção, ele consegue tornar a trama envolvente e original ao focar no raciocínio científico e no realismo diante das reações dos personagens. Com baixo orçamento, recursos limitados e muita liberdade para os atores improvisarem, o resultado torna-se eficaz para os espectadores que forem conquistados ao aceitar a situação – aparentemente absurda – na qual os personagens são envolvidos, e assim desfrutar de todo o mistério até o final da trama.

Acredito que a maioria, facilmente, vai se inserir na dinâmica da trama. Inclusive, com os efeitos de câmera, limitados, sem muita preocupação com os cortes, o resultado deixa uma impressão de que estamos lá, filmando tudo com uma câmera amadora. Dessa forma, acabou auxiliando na imersão do espectador. Para entender a situação em si, nem é necessário muito esforço, pois rapidamente há uma explicação e a aceitação desta, por parte dos personagens, é bem natural e faz com que o espectador aceite junto. Ao apresentar uma teoria existente – física quântica e o gato de Schrodinger – a situação fica um pouco mais plausível. Entretanto, a partir de então fica o exercício que vai mexer com a capacidade de raciocínio lógico do espectador, para entender o que está mudando, quem é quem, e até quem pode estar mentindo e se aproveitando.

Segundo informações em fóruns de discussão virtuais, o diretor afirmou que as filmagens foram feitas em cinco noites, onde os atores recebiam uma página de notas com as instruções para cada noite. E apenas com um pouco de auxílio do diretor, apresentando o argumento e dando algumas dicas, os atores tinham que se virar no improviso. É como se todos eles fizessem parte do roteiro e da direção. Muitos acontecimentos da trama foram surpresa para os profissionais.

Aproveitem o mistério do filme e só leiam o SPOILER abaixo depois de assisti-lo.

Resumo da situação e final do filme – SPOILER:

A física quântica e o gato de Schrodinger tratam de dimensões paralelas geradas por decisões diferentes que as pessoas fazem. O filme acompanha muito a perspectiva da personagem Emily. Sempre que os personagens passam pelo ponto escuro da rua, eles entram em contato com outra dimensão e fica praticamente impossível voltar àquela na qual estavam quando tudo começou. Então, por exemplo, quando os dois caras saem da casa no início do filme, os que voltam trazendo a caixa não são mais os mesmos que estavam lá anteriormente. Assim, são criadas várias dimensões parta cada decisão tomada. A caixa é uma prova disso, pois o objeto escolhido muda: urso, porta copo, raquete de ping-pong, lenço, seringa, faca etc.

A situação gera tensões já que a convivência com “cópias” de si mesmo não é algo natural. Emily entende tudo muito rápido e decide sair em busca de uma dimensão onde todos os amigos estejam se entendendo bem (ou que ainda não tenham entendido a situação). Ela tenta eliminar a Emily daquela dimensão, só que o cometa passa e ela percebe, quando finalmente chega o dia (já que a linha do tempo voltou ao normal), que a outra Emily está viva. Assim, ela fica presa numa dimensão com duas Emilys. Da mesma forma, a dimensão que ela deixou, provavelmente, ficou sem Emily alguma.

Tags Relacionadas anel, Coerência, crítica, garfo, jantar, lenço, ping-pong, porta copo, quântica, raquete, resenha, Schrodinger, seringa, urso
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