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Enquanto Londres está na iminência de sofrer ataques de bombardeios, Bill (Sebastian Rice-Edwards) tem que conviver com a ausência do pai que deixa a família e parte para o campo de batalha, todo empolgado com seu patriotismo. Junto com outras crianças, o garoto se diverte e entra numa gangue infantil que na verdade representa essa fuga do cenário real, uma espécie de poder que a ficção tem de minimizar a realidade. As crianças definem o filme. Elas brincam nos escombros que sobraram de um ataque ou nos restos de uma casa que foi incendiada. Boorman mostra a guerra através desses olhos infantis, através das pessoas que ficam. Nisso ele também reforça o valor da família, que resiste unida, chegando a se ajudar da melhor forma que podem. A casa dos avós do garoto no meio do lago, é linda e aconchegante o suficiente para representar essa característica, com toda a receptividade que os avós possuem com seus familiares.

Existem gestos de quebra da ficção, como quando a garota entra em trabalho de parto e, não tendo para onde ir, uma pessoa fala “Água quente. Muita água quente!”. Outra pergunta a utilidade disso e a pessoa responde: “Sei lá. Sempre dizem isso nos filmes.”. Enfim, as coisas precisam se ajustar em meio a uma situação sem recursos e o filme mostra que as pessoas conseguem se superar nessas condições. Isso é reforçado nas cenas onde ocorrem situações positivas mesmo num cenário maior turbulento (a cena da bomba no lago permitindo ao garoto conseguir vários peixes é peculiar), seja na diversão que as crianças encontram quando toca a sirene avisando um ataque aéreo (afinal, quando isso ocorre, a escola interrompe as aulas) ou de forma mais explícita quando uma bomba perdida destrói a escola e as crianças entram em ritmo de comemoração contagiante.

O assunto não perde sua seriedade, afinal o filme é um drama sobre a guerra. Com esse foco nas pessoas que ficam fora da batalha, tentando tocar suas vidas já modificadas, mas também trazendo várias situações mostrando o lado positivo das coisas, percebemos que não se vive só de esperança e de glória, se vive o momento em si da melhor forma que pudermos, e ele pode ser bom mesmo com tantas forças externas ameaçando nossas vidas.

“Nada mais na minha vida se igualou à alegria daquele momento.
Minha escola estava em ruínas.
E o rio acenava com a promessa dos dias furtados.”

Tags Relacionadas crítica, Esperança e Glória, filme de guerra, Guerra, Guerra Civil, Hope and Glory, John Boorman, resenha
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