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Nada menos que Christopher Nolan para mostrar esse acontecimento em um dos melhores filmes de guerra que você poderá ver nos cinemas. Não podemos negar que o diretor é bem variado: depois de consagrar o personagem do Batman em um dos melhores filmes do gênero (Batman: O Cavaleiro das Trevas, 2008), seguido do filmaço A Origem (Inception, 2010) que chegou a ser comparado a Matrix e, depois, concretizando uma ficção científica inteligente, indicada ao Oscar (Interstellar, 2104), agora ele simplesmente resolve sair da ficção e encarar um filme baseado num acontecimento real no contexto da Segunda Guerra.

Nolan apresenta uma visão do conflito de uma forma interessante: através de pontos de vista diferentes, de alguns personagens chave. Primeiramente, o soldado que está na praia, em terra firme (digamos assim), interpretado pelo cantor Harry Styles (foi da banda One Direction) e que deu conta do recado como ator; outro é o Tom Hardy que está no ar pilotando um caça no meio da batalha aérea e tentando ao máximo proteger quem está no chão; temos o Mark Rylance que está na água, no mar, e dá um show de interpretação, nada diferente do esperado desde o filme Ponte dos Espiões (2015) onde ele faturou o Oscar de melhor ator coadjuvante. Aqui ele é um dos melhores personagens, maduro no tratamento com as pessoas e também experiente no contexto da batalha, o que nos leva a uma das melhores cenas do filme; por fim, cabe citar também Kenneth Branagh como o comandante que orienta as evacuações dos soldados e enfrenta um dilema intrigante. Somado a isso está a montagem do filme, digna de Oscar, pois o diretor usa com parcimônia e maestria esses ponto de vista diferentes, inclusive em cima de uma mesma cena.

Apesar de sabermos que milhares de soldados foram resgatados nesse dia, os alemães intensificaram os ataques aéreos e nove dos dez contratorpedeiros afundaram. Isso fica bem evidente no filme, a trama é focada nos momentos da evacuação e exprime essa vontade de sobreviver acima de tudo. Um ponto a observar é que a câmera, muitas vezes, está próxima dos soldados e outros personagens a ponto de que a sensação de imersão é forte (basta você se colocar no lugar para sentir o clima pesado). Por outro lado, a câmera se afasta às vezes e dá uma visão panorâmica da situação, mas isso não significa que vai amenizar. A trilha sonora também dança conforme a música (desculpem o trocadilho) e se mistura aos momentos corridos (escutei violino? piano?), mas o que vai pesar mesmo é o som ambiente: a cada percepção dos soldados (e do espectador junto) do barulho de aviões se aproximando, vem a tensão (“é um dos nossos?”) e as consequências. Nolan optou por não mostrar banhos de sangue, cenas explicitamente fortes e exageradas, mostrando sua habilidade em passar o recado sem apelar para clichês do gênero.

No discurso de Winston Churchill sobre este acontecimento, ele deixa claro o que pensa quando fala “as guerras não se vencem com evacuações”. Dentro dessa premissa o filme discute honra, vergonha e heroísmo. Contudo, o que fica mais forte é o instinto de sobrevivência e a ajuda mútua.

Tags Relacionadas A Origem, Batman, Cavaleiro das Trevas, Christopher Nolan, Churchill, crítica, Dunkirk, Harry Styles, Inception, Interstellar, Mark Rylance, resenha, Tom Hardy
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