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10 filmes originais Netflix para Oscar não botar defeito

Foi uma tortura concluir essa lista visto que os filmes originais Netflix, em sua grande maioria, são decepcionantes. E eu vi muitos para conseguir gostar de 10, chegando ao ponto de cancelar minha assinatura até que um dia tenha motivos para ativar novamente. Mas ,enfim, eis que temos 10 filmes bem legais produzidos pela própria Netflix.

Traídos pelo Desejo (“The Crying Game”, 1992)

Eu indico
The Crying Game (Reino Unido /  Irlanda / Japão, 1992)
Fergus (Stephen Rea), um membro do IRA (Exército Republicano Irlandês), juntamente com outros companheiros terroristas, sequestram o soldado britânico Jody (Forest Whitaker). Eles mantém o soldado em cativeiro e pedem um resgate por ele. Se não forem atendidos em três dias, Jody será executado. Fergus fica encarregado de guardar Jody e acaba desenvolvendo uma amizade com este. Direção e roteiro de Neil Jordan.
A fábula do escorpião e da rã:
A sinopse acima é na verdade uma introdução do que pode ser visto neste surpreendente filme, indicado a seis Oscar: melhor filme, edição, ator (Stephen Rea), ator coadjuvante (Jaye Davidson), diretor e roteiro original (de Neil Jordan), sendo que venceu neste último. Talvez se não tivesse disputado com grandes filmes de 1992, como Os Imperdoáveis (de Clint Eastwood) e Perfume de Mulher (de Martin Brest), mais estatuetas seriam conquistadas. É até admissível que Os Imperdoáveis tenha recebido os prêmios de melhor filme e direção, assim como Al Pacino, quase imbatível no papel, como melhor ator em Perfume de Mulher. Entretanto, por mais que respeitemos a atuação memorável de Gene Hackman por Os Imperdoáveis, levando o prêmio de melhor ator coadjuvante, foi uma grande injustiça o Oscar não ter premiado o ator Jaye Davidson pelo papel de Dil, um ator de pouca visibilidade e que só chegou a atuar em 5 filmes. Seu papel neste é controverso, difícil para qualquer um. De um mero coadjuvante, o personagem Dil pode se tornar o principal centro de atenção do espectador, muito pela atuação excepcional do ator Jaye Davidson.
Este é um filme enigmático e surpreendente em muitos momentos, podendo causar um choque nas pessoas mais sensíveis. Pelo menos quanto a isso o reconhecimento do Oscar foi justo (melhor roteiro original). A fábula do escorpião e da rã, que Jody (soldado inglês sequestrado) conta à Fergus (seu carcereiro) é a metáfora que melhor representa o filme. Jody é interpretado por mais um grande ator, Forest Whitaker, que merecia pelo menos uma indicação, mas também foi injustiçado. O título original “The Crying Game” (algo como “O Jogo das Lágrimas”) é o título de uma canção que Dil está cantando quando Fergus a encontra em Londres, canção de 1960 do inglês Dave Berry, regravada por Boy George. A trilha sonora em si é mais um ponto forte, com a produção musical de Anne Dudley e da banda Pet Shop Boys.
O destino, como se estivesse escrito, trilha os caminhos de Fergus, já que ele é o protagonista, ponto central da história. Mas o que entendemos é que a sua natureza o faz dono de seu destino, suas escolhas estão amarradas ao que ele é de fato, algo que ele aprendeu com Jody. Stephen Rea como Fergus surpreende, um membro do IRA, experiente, mas com uma certa sensibilidade. Difícil de ser interpretado com seus comportamentos, a princípio, controversos, aos poucos mostra o que ele é realmente. Sempre voltamos ao que o personagem de Forest Whitaker disse, quando eles se aproximaram no momento mais atípico possível. A partir daí nos deparamos com envolvimentos amorosos, conturbações e interrupções regadas por questões de opção sexual, preconceito e valores pessoais, principalmente através de Fergus que vai se revelando aos poucos, criando uma relação de dependência com Dil que vai nortear o clímax do filme.
Cena do filme que mostra o retrato na carteira de
Jody (Forest Whitaker, à direita), junto com Dil (Jaye Davidson)
__________________________________
Fontes:

http://pt.wikipedia.org/wiki/The_Crying_Game

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