No Coração do Mar (2015)
Eu indico In the Heart of the Sea (EUA, 2015)
A família de Beto (Wladimir Brichta) é dona de uma tradicional loja de antiguidades que está passando por uma crise financeira. Para tentar solucionar este problema ele se lança numa viagem até a cidade de Itajuípe, interior da Bahia, atrás de uma coleção raríssima de gravuras que foi adquirida há 30 anos por um antigo cliente, o colecionador Samir (Walmor Chagas). Entretanto, logo ao chegar Beto enfrenta uma forte resistência da esposa dele e de sua filha Saada (Ludmila Rosa). Dirigido por Bernard Attal.
Este filme foi ousado em reinventar uma das cenas mais fortes do livro (e do primeiro filme), que envolve a primeira catástrofe para a família. Isso ficou interessante e manteve a lógica. Outro ponto positivo foi a atuação de John Lithgow como o velho Jud Crandall, personagem chave com garantia de grandes momentos em tela graças ao ator consagrado. A garotinha Ellie, interpretada pela Jeté Laurence, também está boa no papel. Uma das cenas mais legais envolve os dois, é pesada e bem parecida com a cena do livro. Boa sorte!

Atomic Blonde (EUA, 2017)
De acordo com Maquiavel, “É um prazer duplo enganar o enganador”. Essa frase é quase um mantra para os espiões, quanto mais em tempos de muitos segredos e uma guerra que pode explodir a qualquer momento, como o caso da Guerra Fria (1947 a 1991). O filme se passa no final desse período, onde o foco das nações era manter o seu poder e as pessoas comuns se preocupavam com a segurança. Baseado na graphic novel (romance gráfico em formato de livro) de título “The Coldest City”, mostra esse mundo cheio de sombras e dúvidas, numa Berlim dividida e prestes à queda de seu muro.
A proposta é comum: espionagem, Guerra Fria, não confie em ninguém. Contudo, o enredo consegue ser atraente, a história se desenrola muito bem no roteiro de Kurt Johnstead e as cenas de ação são sensacionais e brutais, sendo postas no filme junto com músicas famosas dos anos 80 e 90. Afinal, o filme se passa em 1989, nessa transição entre duas décadas importantes na história. Os diálogos discutem de forma interessante a Guerra Fria e como os espiões foram importantes para evitar que essa guerra tomasse proporções catastróficas e estourasse como o efeito de uma bomba atômica. Mas bombástica no filme mesmo é a Charlize Theron, sua personagem é encaixada com facilidade nesse cenário onde a sobrevivência é constantemente ameaçada.
A atriz passou por um treinamento intenso para assumir esse papel de uma agente altamente experiente e profissional, seja no combate corpo a corpo – com armas brancas ou de fogo, seja na arte do disfarce e jogo de cintura que os espiões precisavam ter, principalmente no contexto da Guerra Fria. Contou com oito personal trainers e treinou junto com o Keanu Reeves que estava se preparando para o papel de John Wick no segundo filme da franquia. Este foi um dos melhores papéis da atriz e sua carreira volta para o auge por conta deste filmaço. Lembrando que ela possui várias indicações e já recebeu o Oscar pelo seu papel difícil no filme “Monster – Desejo Assassino (2004)”.
Ela brilha neste filme, atuação fenomenal e surpreendente pois é o primeiro grande filme de ação que ela protagoniza. Passa toda sensação de realidade nas cenas de ação. Ainda mais, consegue ser sexy até quando está no meio de uma briga e muito estilosa quando está em qualquer lugar. A qualidade técnica, a fotografia e a direção de David Leitch (co-diretor de John Wick) garante grandes tomadas e sequências bem feitas de ação, chegando no nível do outro grande filme de ação deste ano: John Wick: Um Novo Dia Para Matar (2017). Ambos os personagens, Lorraine Broughton e John Wick, estão consagrados. A personagem de Charlize Theron, nossa “Loira Atômica” (título original) é forte e impressionante. O espectador simpatiza com ela, até porquê a mesma consegue se diferenciar dos demais espiões da trama quando mostra pequenos momentos de fragilidade humana; ela precisa ser fria em sua jornada, contudo todo mundo se apega a algo ou alguém. É impressionante a forma como ela consegue se desenrolar com as surpresas que surgem, seja para sair de situações quase sem brechas, seja para controlar suas emoções e não revelar segredos que a poderiam comprometer.
Ela contracena de forma diferenciada com outros grandes atores, como John Goodman, Toby Jones, James McAvoy e Sofia Boutella, outra atriz bem sexy e que, junto com nossa protagonista, vai garantir cenas neste filme para qualquer um babar. James Macvoy também está ótimo, desde Fragmentado (2017) já se consagrou um ator excelente e versátil. Seu personagem aqui é bem contextualizado e só não rouba a cena porquê Charlize Theron realmente domina o filme.
Enquanto John Wick apresenta um percentual grande de cenas com tiros e muita morte, Atômica não entra tanto nesse ritmo, alternando mais a luta corporal com o tiroteio, tendo então algumas longas e belas cenas de briga. Uma delas envolve corredores e escadas e é sensacional; outra tem a música “Father Figure”, de George Michael, tão alta e forte quanto a cena em si. As músicas que acompanham as passagens são empolgantes, algumas são acionadas pelos personagens e utilizadas como estratégia para distrair ou abafar o som ambiente, a fim de se utilizar isso como vantagem. É interessante também o fato de que a personagem toma suas pancadas (os inimigos são à altura) e mostra grande força de vontade, resiliência.
Esse é o nosso TOP 10 com os melhores filmes lançados em 2021. Foram 40 filmes pré-selecionados aqui no blog e escolhi os 10 que me causaram as melhores emoções, assim como uma grande satisfação ao término da sessão.
Esse filme é um presente merecido para os fãs, já que o resultado ficou excelente. Adaptação feita com muito cuidado, em detalhes, conseguindo ser assustador e ao mesmo tempo agradável. A mensagem principal - que não poderia ficar de fora - está lá: a personificação do medo, que é a definição da Coisa, o palhaço monstruoso que se materializa no medo de suas vítimas e se alimenta dessa sensação de medo. O diretor argentino Andrés Muschietti merece louvor por deixar 2 horas e 15 minutos de diversão e cenas assustadoramente criativas.
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