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O livro de Frank Herbert foi comparado a Senhor dos Anéis por Arthur C. Clarke. Ainda mais apaixonante foi a declaração de Neil Gaiman: "Duna é o melhor dos grandes romances de ficção científica, e o que mais se manteve relevante". Neste ano ainda pandêmico, Denis Villeneuve, aclamado por excelentes filmes como Incêndios (2010), A Chegada (2016) e Blade Runner 2049 (2017), entrega a sua versão de Duna para o cinema.

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Eu indico A Fraternidade é Vermelha (Polônia / França /

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Atômica (2017)

Atomic Blonde (EUA, 2017)

De acordo com Maquiavel, “É um prazer duplo enganar o enganador”. Essa frase é quase um mantra para os espiões, quanto mais em tempos de muitos segredos e uma guerra que pode explodir a qualquer momento, como o caso da Guerra Fria (1947 a 1991). O filme se passa no final desse período, onde o foco das nações era manter o seu poder e as pessoas comuns se preocupavam com a segurança. Baseado na graphic novel (romance gráfico em formato de livro) de título “The Coldest City”, mostra esse mundo cheio de sombras e dúvidas, numa Berlim dividida e prestes à queda de seu muro.

A proposta é comum: espionagem, Guerra Fria, não confie em ninguém. Contudo, o enredo consegue ser atraente, a história se desenrola muito bem no roteiro de Kurt Johnstead e as cenas de ação são sensacionais e brutais, sendo postas no filme junto com músicas famosas dos anos 80 e 90. Afinal, o filme se passa em 1989, nessa transição entre duas décadas importantes na história. Os diálogos discutem de forma interessante a Guerra Fria e como os espiões foram importantes para evitar que essa guerra tomasse proporções catastróficas e estourasse como o efeito de uma bomba atômica. Mas bombástica no filme mesmo é a Charlize Theron, sua personagem é encaixada com facilidade nesse cenário onde a sobrevivência é constantemente ameaçada.

A atriz passou por um treinamento intenso para assumir esse papel de uma agente altamente experiente e profissional, seja no combate corpo a corpo – com armas brancas ou de fogo, seja na arte do disfarce e jogo de cintura que os espiões precisavam ter, principalmente no contexto da Guerra Fria. Contou com oito personal trainers e treinou junto com o Keanu Reeves que estava se preparando para o papel de John Wick no segundo filme da franquia. Este foi um dos melhores papéis da atriz e sua carreira volta para o auge por conta deste filmaço. Lembrando que ela possui várias indicações e já recebeu o Oscar pelo seu papel difícil no filme “Monster – Desejo Assassino (2004)”.

Ela brilha neste filme, atuação fenomenal e surpreendente pois é o primeiro grande filme de ação que ela protagoniza. Passa toda sensação de realidade nas cenas de ação. Ainda mais, consegue ser sexy até quando está no meio de uma briga e muito estilosa quando está em qualquer lugar. A qualidade técnica, a fotografia e a direção de David Leitch (co-diretor de John Wick) garante grandes tomadas e sequências bem feitas de ação, chegando no nível do outro grande filme de ação deste ano: John Wick: Um Novo Dia Para Matar (2017). Ambos os personagens, Lorraine Broughton e John Wick, estão consagrados. A personagem de Charlize Theron, nossa “Loira Atômica” (título original) é forte e impressionante. O espectador simpatiza com ela, até porquê a mesma consegue se diferenciar dos demais espiões da trama quando mostra pequenos momentos de fragilidade humana; ela precisa ser fria em sua jornada, contudo todo mundo se apega a algo ou alguém. É impressionante a forma como ela consegue se desenrolar com as surpresas que surgem, seja para sair de situações quase sem brechas, seja para controlar suas emoções e não revelar segredos que a poderiam comprometer.

Ela contracena de forma diferenciada com outros grandes atores, como John Goodman, Toby Jones, James McAvoy e Sofia Boutella, outra atriz bem sexy e que, junto com nossa protagonista, vai garantir cenas neste filme para qualquer um babar. James Macvoy também está ótimo, desde Fragmentado (2017) já se consagrou um ator excelente e versátil. Seu personagem aqui é bem contextualizado e só não rouba a cena porquê Charlize Theron realmente domina o filme.

Enquanto John Wick apresenta um percentual grande de cenas com tiros e muita morte, Atômica não entra tanto nesse ritmo, alternando mais a luta corporal com o tiroteio, tendo então algumas longas e belas cenas de briga. Uma delas envolve corredores e escadas e é sensacional; outra tem a música “Father Figure”, de George Michael, tão alta e forte quanto a cena em si. As músicas que acompanham as passagens são empolgantes, algumas são acionadas pelos personagens e utilizadas como estratégia para distrair ou abafar o som ambiente, a fim de se utilizar isso como vantagem. É interessante também o fato de que a personagem toma suas pancadas (os inimigos são à altura) e mostra grande força de vontade, resiliência.

Tags Relacionadas Atomic Blonde, Atômica, Charlize Theron, crítica, David Leitch, Desejo Assassino, espiã, espião, espionagem, Guerra Fria, James McAvoy, John Goodman, John Wick, Lorraine Broughton, Monster, resenha, Sofia Boutella, The Coldest City, Toby Jones
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