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História triste e feliz de Buster Keaton:
É importante saber quem foi Buster Keaton (1895 – 1966), um dos maiores gênios da comédia no cinema mudo, que chegou a encarar dificuldades com a chegada do cinema falado, assim como muitos outros artistas. Ele saiu da pobreza para a riqueza em um curto espaço de tempo. Entretanto, este que foi considerado o grande rival de Charles Chaplin no cinema, passou por momentos difíceis e quase morreu esquecido. Neste sentido, vale a pena assistir ao filme, mesmo com toda a repercussão negativa após os críticos alegarem que foram ignorados e distorcidos muitos fatos sobre o astro, não tendo fidelidade à história real. Soa estranho, visto que o próprio Buster Keaton participou da produção como conselheiro técnico.
Sidney Sheldon foi um famoso escritor de vários best sellers, tais como “A Outra Face”, “O Outro Lado da Meia-Noite”, “A Ira dos Anjos” e “Se Houver Amanhã”. Também foi roteirista de filmes e novelas, chegando a dirigir poucos filmes, inclusive adaptações de suas obras. Seus livros alcançaram a lista de mais vendidos do The New York Times, porém sua carreira no cinema foi bem criticada. “O Palhaço Que Não Ri” é um drama sobre a vida de Buster Keaton, co-escrito, co-produzido e dirigido por Sheldon, que foi tão criticado que o estúdio resolveu não renovar o contrato com o diretor.
Buster Keaton é interpretado por Donald O’Connor, um dos três principais atores de “Cantando na Chuva” (1952), o clássico dos musicais que também retrata a Hollywood na passagem do cinema mudo para o falado. Versátil e carismático, o ator dá um show e consegue mostrar o talento e a personalidade de Keaton, um comediante melancólico que praticamente não dá um sorriso de forma natural em sua vida. As cenas onde ele está interpretando, ensaiando uma cena para algum filme, são memoráveis. Podemos comparar um pouco com o próprio Chaplin interpretando Carlitos, ou a Robert Downey Jr. interpretando Chaplin no excelente “Chaplin” (1992), e assim temos uma ideia de quem foi Buster Keaton.
No filme, presenciamos a origem das gargalhadas do público quando um acidente ocorre numa peça teatral de “Os Três Keatons”; o garoto Buster, com apenas 7 anos, cai acidentalmente de uma mesa e daí temos a inspiração para realizar cenas com acidentes, quedas e porradas, num estilo pastelão que combina com filmes mudos. A família do ator é pobre e enfrenta a vida com dureza. Depois disso a história avança para quando o cinema passa a quase substituir o teatro de variedades e, assim como muitos outros artistas do Vaudeville, Keaton vai para Hollywood tentar a sorte no cinema. O seu talento já é usado para driblar os guardas e conseguir um teste para ator e, em pouco tempo depois, ele já está dirigindo seus próprios filmes. Também vemos sua decadência após a chegada do som nas telas, suas desventuras amorosas e os problemas com a bebida.
No filme, a carreira de Keaton acaba com a chegada do cinema falado. Numa das cenas temos a oportunidade de ver o anúncio do filme “O Cantor de Jazz” (1927), que de fato inaugurou a era do cinema falado. Também vemos o ápice da carreira de Keaton (entre 1920 e 1928), quando criou os filmes que o tornaram um dos maiores comediantes do cinema: “Marinheiro por Descuido” (The Navigator), “O Vaqueiro” (Go West), “Boxe por Amor” (Battling Butter), “Amores de Estudante” (College), e “A General” (1927), sua obra-prima, lançado no mesmo ano de “O Cantor de Jazz”. Na vida real, Buster Keaton sobreviveu por duas décadas de comédias sonoras baratas e eventuais aparições, e depois voltou à evidência ao participar do filme “Luzes da Ribalta” (Limelight, 1952), de Charles Chaplin. Esse filme parece ter salvo o artista da decadência que, depois de contracenar com Chaplin pela única vez, dá uma reviravolta em sua vida, voltando a casar, parando de beber e atuando em diversos papéis no teatro, TV e cinema.
Quatro anos antes de morrer, Buster Keaton recebeu emocionante homenagem em Paris. Jean Tulard, acadêmico e historiador francês e apaixonado por cinema, escreveu em seu Dicionário de Cinema:
“Em 1962, ao apresentar sua obra em Paris, no espaço da Cinemateca, Keaton entrou por uma porta, enquanto era esperado por outra; pegou o microfone que lhe deram e o utilizou como um barbeador elétrico: com alguns gestos, resumiu toda a sua arte. A ovação que lhe foi feita por um público bastante jovem de cinéfilos foi a maior e mais espontânea já registrada na Cinemateca. E também a mais merecida.”

Buster Keaton (1895 – 1966)

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Fontes:
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