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Sentidos e sentimentos:

Susan (Eva Green) é uma estudiosa epidemiologista em crise com o amor. Michael (Ewan McGregor) é um sedutor e talentoso chefe de cozinha. Eles vão viver um romance numa história que parece retirada das páginas de uma obra de José Saramago, como “Ensaio sobre a cegueira”, que teve um filme lançado em 2008. Contudo, o diretor David Mackenzie conduz diferente. Ao invés da reação maléfica que a humanidade mostra diante da perda da visão na história de Saramago, aqui temos uma linda lição de como o ser humano pode se adaptar aos obstáculos e limitações que a vida pode trazer, mesmo quando isso envolve a perda de sentidos.

Por outro lado, o filme não é romântico e otimista demais a ponto de só mostrar boas reações. As pessoas se dividem em dois grupos: os que reagem com violência e maldade, destruindo; e os que se adaptam e servem de exemplo para os demais. Umas das cenas mais belas é quando um grupo de jovens está numa mesa de restaurante, conversando em libras e sorrindo, depois da perda da audição. A vida continua. Mesmo sem cheiro, gosto, temos o formato, as cores. O ambiente do restaurante foi propício para mostrar essas mudanças.

Sendo assim, temos um romance que vem junto com um ensaio sobre a humanidade. Numa narração belíssima, se reforça: “eles voltaram a fazer aquilo que sabiam fazer”, porque precisavam. Também levanta a questão de que nossas memórias estão ligadas a cheiros. E ainda temos os momentos de raiva onde dizemos tudo aquilo que guardávamos de rancor, nos deixando sinceros demais e, ao mesmo tempo, tão capazes de machucar os sentimentos do outro.

A cena final é linda… segue a linha apocalíptica, mas deixa uma mensagem incrivelmente sensível e, claro, é romântica no melhor sentido dessa palavra. E a estratégia das cenas estarem alinhadas com as falhas nos sentidos ficou perfeita, pois assim a gente presencia a situação de forma mais realista.

“Mas antes os momentos de luz.
Uma hesitação compartilhada do lóbulo temporal.
Uma apreciação profunda do que significa estar vivo.
Mas, acima de tudo, a vontade de alcançar o outro.
De oferecer calor.
Compreensão.
Aceitação.
Perdão.
Amor.
Está escuro agora, mas sentem a respiração um do outro…
e sabem tudo que precisam saber.”

Tags Relacionadas David Mackenzie, Eva Green, Ewan McGregor, McGregor, Saramago
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