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Ótimo ver um filme que fala um pouco do Fellini, mesmo ele não sendo o ponto principal da trama, já que mais forte se mostra uma relação entre mãe e filha e a questão do propósito que cada um de nós temos na vida; propósito é um assunto abordado por Fellini em suas falas e filmes. Mais do que isso, muitas cenas deste filme beiram ao excêntrico que, como nos filmes do diretor, acaba sendo um excêntrico aceitável. O cineasta já deu um tapa naqueles que defendem radicalmente o realismo no cinema quando disse uma vez: “O realismo não é uma boa palavra. Eu nem percebo a fronteira entre o imaginário e o real. Vejo muita realidade no imaginário. E não me sinto encarregado de pôr uma ordem nisso tudo”. E mais: “O visionário é o único e verdadeiro realista.”

Uma das melhores coisas que posso dizer a respeito deste é que estamos diante de um filme romântico. O amor é abordado ao menos de 3 formas: na relação entre mãe e filha, no descobrimento do primeiro amor entre um casal de jovens e do amor pelo cinema representado pela paixão da personagem pelos filmes do Fellini. Mesmo com a distância, mãe e filha estão sempre ligadas: enquanto uma está na Itália passando pelos locais dos filmes, a outra está experimentando os filmes de Fellini na TV.

A proposta parte de um cenário americano para a Itália e as paisagens e costumes deste país europeu trazem prazer ao expectador. Afinal, a Itália se mostra deslumbrante neste filme e um pequeno exemplo é a Fonte de Trevi que remete a um filme especial para mim, La Dolce Vita. Verona, Veneza, Roma… a personagem tem o privilégio de passar por lugares deslumbrantes e viver coisas boas e ruins, sentindo na pele passagens dos filmes de seu amado diretor, que são exibidos em partes numa contraposição a trama vigente. Obras elogiadas e que causam estranheza em alguns personagens, que chegam fazer comparações do tipo: “não são como os filmes americanos… é meio confuso… e são muito bons”.

Apesar de um certo exagero desnecessário na tentativa de mostrar a forte relação entre mãe e filha à distância e na aparição bem conveniente de um jovem salvador e apaixonante para a personagem que está perdida em outro país, o filme não decai por conta das outras qualidades supracitadas. Lucy (Ksenia Solo, que está apaixonante), de forma súbita e intensa, parte nessa viagem e segue seus sonhos para depois perceber que a felicidade estava onde ela menos buscou. E temos um final bem romântico para completar.

Fini.

Tags Relacionadas A Doce Vida, Amarcord, Cabíria, crítica, crítica Em Busca de Fellini, Em Busca de Fellini, Federico Fellini, Fellini, Oito e meio, resenha, resenha Em Busca de Fellini
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