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Tolerância:
O filme nos dá a oportunidade de conhecer o funcionamento de um prostíbulo francês do final do século XIX, retratando bem o cenário e as questões que são desenroladas dentro de um fantástico casarão onde vivem garotas de programa. Cada uma delas possui personalidade e características bem específicas, e todas aparecem nuas, parcialmente nuas ou muito bem vestidas à espera dos clientes, com aqueles longos e enfeitados vestidos de época. Por outro lado, temos também os diferentes clientes, em grande parte a burguesia que consumia os serviços da casa. O casarão é de uma beleza bem trabalhada, com seus móveis e luzes, e as mulheres em sua maioria bem atraentes dão mais beleza ao ambiente. Um investimento bem acertado por parte da direção de arte, casado com uma fotografia rica em pequenos detalhes que podem não ser percebidos de cara: preste atenção na cena onde uma das mulheres está deitada no chão e fumando, veja como a fumaça sai lentamente da mesma e dá uma beleza à cena em si; em outras cenas a câmera está bem posicionada e próxima aos detalhes de rostos e corpos das mulheres.
De forma proposital, quase que não há cenas fora da casa, mostrado que o limite das mulheres é determinado pelas paredes da mansão de tolerância, um limite que elas precisam tolerar e, para algumas, só há consolo no fato de poder sonhar com algo diferente. Chega a ser um acontecimento extraordinário deixar a casa de L’Apollonide, fato que é bem focado no longa quando as mulheres dialogam sobre uma das garotas que abandonou o local. Entre passagens e espaços em comum pela casa, o diretor aproveita e volta algumas cenas já mostrando o ponto de visão de outra mulher (repare bem no início a cena do corredor, que depois será retomada por outro ângulo).
Uma das poucas cenas fora da casa é quando as garotas ganham um dia de folga. Vão para um local natural, ao ar livre, tomar banho de rio, muitas mulheres nuas e felizes pela liberdade de não ter que se oferecer ao cliente que paga por momentos de prazer.
Personagens – PEQUENOS SPOILERS:
Interessante como as mulheres são etiquetadas, principalmente pelos clientes, como por exemplo a mulher que sempre sorri, uma prostituta com cicatrizes no rosto, e como temos o lado humano bizarro de quem chega a pagar só para vê-la. Chega a ser contratada para se apresentar publicamente numa espécie de show erótico, além de se prostituir. Neste ponto sobre esta personagem destaco como o contraste com as cenas que mostram a prostituta no passado, com seu rosto ainda sem marcas, me levou a admirar mais ainda a sua beleza. Antes a mesma era destacada como a bela prostituta judia, mas agora é a bizarra mulher que sempre sorri.
Os clientes também eram apelidados pelas mulheres: o pintor, o barão, o escritor. Cada um com a sua mania e excentricidade. Temos o homem que amava champanhe e faz sexo com as mulheres enquanto elas tomam um banho da bebida, temos o típico cliente que gosta de amarrar as mulheres e até aquele que exige uma espécie de teatro fazendo uma prostituta bem jovem fingir ser uma boneca. Um dos clientes exibe a sua linda pantera quando visita a casa, e o melhor de tudo é que este animal terá um papel importante no filme.
O que poderia ser erótico e vulgar, acaba se tornando belo e natural neste filme. Os corpos das mulheres não são evitados pela câmera, mas sim elogiados por ela.

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