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Ridley Scott dirigiu o seu último filme de ficção em 1982, o clássico “Blade Runner”, mas antes disso ele já era conhecido pelo filme “Alien – O Oitavo Passageiro” (1979). A intenção do diretor era que o filme Prometheus tivesse elementos de Alien, como o fato de se tratar do mesmo universo, revelando as origens da criatura ao mesmo tempo em que explora a sua mitologia. Particularmente não sou fã da franquia Alien, embora tenha me agradado bastante o segundo filme (“Aliens, O Resgate”, dirigido por James Cameron em 1986), com boas cenas de ação. Mas este filme Prometheus mostra a habilidade de produção e direção de Scott, e o resultado é um verdadeiro filme de ficção científica: futurista, com diálogos e cenas densas e interessantes, doses de suspense e terror, além de um visual de tirar o fôlego (foi inteiramente rodado com câmeras 3D e não economizou nos efeitos visuais), bem no estilo que questiona a existência e explora a necessidade de sobrevivência.

A procura por respostas sobre a criação da humanidade permeia boa parte do filme, embora o mesmo não tarde a revelar algumas respostas, ao mesmo tempo em que nos deixa com alguns questionamentos importantes (pois novas perguntas surgem); afinal, se tivermos todas as respostas sobre a criação do universo e da humanidade, não haveria mais necessidade de debates interessantes e discussões filosóficas, tão necessárias para a existência de alguns. No filme, as idéias são apresentadas à medida que vamos conhecendo personagens com diferentes opiniões (cientistas que acreditam que fomos criados por seres mais evoluídos, pessoas que acreditam em Deus como criador do universo e até aqueles que só querem fazer o seu trabalho sem necessidade de revelação alguma). Os diálogos, principalmente aqueles onde o androide (Michael Fassbender) se envolve, são bem interessantes. Fassbender está fascinante interpretando o androide David de uma forma que chega a ser estranha, meticuloso e sem sentimentos, artificial, a ponto de incomodar o espectador, quando decisões importantes são tomadas por uma máquina sem medo e sem consideração pela vida humana (a tipologia deste deve ser a mesma do Androide do segundo filme de Alien). A protagonista Elizabeth Shaw também ficou bem interpretada pela Noomi Rapace, que me surpreendeu bastante. Um choque para quem conhece essa atriz pelo papel na trilogia Millenium, versão Sueca, onde ela interpretou uma exótica personagem.

O roteiro não só se aproveita desta grande questão (busca de nossas origens), como também trás novamente à tona os mistérios que rondam o surgimento da criatura da série Alien. É importante saber que o filme é muito mais do que um prelúdio para este último, tendo assim uma trama quase que independente.

O filme é o show de imagens, sons e efeitos. Os cenários são realistas e detalhados, o clima de Alien aparece com força em alguns deles, e temos a sensação de nostalgia que alguns filmes conseguem passar. Para quem for ao cinema, vai ter a sensação de que está chovendo forte do lado de fora da sala, durante uma cena do filme onde milhares de gotas de água estão caindo sobre os personagens. A trilha sonora de Marc Streitenfeld contribui bastante, inclusive usando alguns trechos das composições de Jerry Goldsmith feita para o “Alien” original.

Como se passa no ano de 2093, não perde a chance de introduzir alguns aparatos tecnológicos, como as esferas flutuantes que percorrem os lugares e mapeiam a região, assim como uma máquina para fazer cirurgias complexas sem necessidade de intervenção humana.

Prelúdio de Alien? – SPOILER

O interessante é que Prometheus desde o início procura se distanciar de Alien e mesmo assim reutiliza muitos elementos que deram certo no clássico de 1979 e constrói aos poucos uma nova atmosfera de tensão. Só que a última cena deixa bem claro que o mesmo é um prelúdio de Alien (por sinal uma cena bem legal). No início, após um belo panorama por montanhas e cachoeiras, vemos um alienígena humanoide, de corpo perfeito. Sob a sombra de uma nave, ele bebe um líquido escuro que faz com que ele se desintegre. O seu corpo cai em uma cachoeira, e o seu DNA desencadeia uma reação que origina vida. Depois que os cientistas comprovam que os seres humanos foram criados pela mesma espécie desta criatura, imaginamos que o planeta da cena inicial era a Terra. Daí as reflexões são bem interessantes, como o fato dos seres humanos serem uma espécie inferior, fruto de uma outra espécie mais evoluída que “brincou de Deus” ao nos criar.

Outra questão interessante é relevar os verdadeiros motivos do patrocinador da missão, que ao invés de se importar em achar respostas, queria na verdade encontrar uma forma de prolongar a própria existência, enquanto outros personagens continuam a acreditar que a existência não acaba quando chega a morte. Até a nave Prometheus usa o nome do titã que roubou o fogo dos deuses e lutou pelo bem estar dos homens, o que despertou a ira de Zeus e este fez surgir Pandora para sua vingança contra a humanidade. Na parte final do filme, a nave foi sacrificada para salvar a Terra da destruição. Entre várias perguntas interessantes (“É possível ser um cientista e manter a fé no desconhecido?”, entre outras), o filme é apropriado para espectadores atentos, pois releva muitas coisas de forma bem sutil. Recomendo fortemente, após assistir ao mesmo, fazer a leitura do link abaixo:
http://www.gizmodo.com.br/io9-as-respostas-para-todas-perguntas-que-voce-tem-sobre-prometheus/

Um destaque para a cena da cirurgia, que é praticamente uma evolução criativa da cena marcante de Alien – O Oitavo Passageiro, quando a criatura sai da barriga de uma pessoa.

__________________________________
Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Prometheus_%28filme%29
http://www.cineclick.com.br/criticas/ficha/filme/prometheus/id/2965
http://cinemacomrapadura.com.br/criticas/269191/prometheus-ridley-scott-mixa-existencialismo-e-terror-ao-voltar-ao-universo-alien/

Tags Relacionadas alien, androide, crítica, Fassbender, James Cameron, Noomi Rapace, Oitavo Passageiro, Pandora, resenha, Ridley Scott, Zeus
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