As Sete Faces de Dr. Lao (“7 Faces of Dr. Lao”)
Eu indico As Sete Faces de Dr. Lao (EUA, 1964)
Eu indico As Sete Faces de Dr. Lao (EUA, 1964)
O filme representa tudo o que um herói pode ser e deixa aquela injeção de coragem que é necessária dentro da difícil fase de crescimento, afinal, Peter Parker é um garoto que representa tudo isso, aprendendo a ser herói e adolescente ao mesmo tempo. Depois de atuar ao lado dos Vingadores, chegou a hora do pequeno Peter Parker voltar para casa e para a sua vida, já não mais tão normal. Lutando diariamente contra pequenos crimes nas redondezas, ele pensa ter encontrado a missão de sua vida quando o terrível vilão Abutre surge amedrontando a cidade. Dirigido por Jon Watts.
Curtis LaForche (Michael Shannon) mora numa pequena cidade de Ohio com a esposa Samantha (Jessica Chastain) e sua filha de seis anos, que possui uma deficiência auditiva. Os dois trabalham pesado para juntar o dinheiro para suprir as necessidades especiais da filha, mas mesmo passando por algumas dificuldades, eles podem dizer que são felizes. Isso começa a mudar quando Curtis passa a ter pesadelos com uma tempestade apocalíptica e começa a ficar obsessivo. Ele constrói um abrigo no quintal e desperta a preocupação da esposa e a desconfiança dos amigos e colegas de trabalho. Dirigido por Jeff Nichols.

Travessia (Brasil, 2013)
Vidas que se afastam. Destinos que se cruzam:
Na próxima quinta-feira teremos nas salas de cinema em todo o Brasil o filme Travessia, do diretor baiano João Gabriel. É um filme que, desde seu lançamento, em 2014, vem recebendo premiações em festivais, mas somente agora poderá ser visto pelo público em geral. Existe um forte trabalho de distribuição e divulgação e espero, sinceramente, que seja visto e valorizado pelos brasileiros, pois é raro uma produção baiana chegar às salas de cinema dessa forma.
O filme tem aspectos especiais a começar pela escolha da cidade onde acontece a história, que é a capital da Bahia, cidade do Salvador, lugar onde este que vos escreve mora. O diretor optou por evitar os cartões postais da cidade e mostrar locais que são mais íntimos para quem vive aqui, e ainda assim é difícil reconhecer lugares em algumas cenas. A maior parte da trama se passa à noite, ambientes escuros e isso combina com a carga dramática do filme, numa histórica que envolve angustia, tristeza, mas de forma delicada. A relação de pai e filho marcada pela ausência da interação entre eles é percebida em quase todas as cenas, mesmo sem fala e só com as expressões corporais e principalmente dos rostos dos dois personagens, percebemos que um está pensando no outro de forma amargurada, mesmo que cada um lide com a situação de forma oposta: o pai (Chico Diaz) tenta chamar o filho para uma conversa e o filho (Caio Castro) evita o encontro – ou o conflito – de forma um pouco violenta. Como o diretor não pretendeu dar explicações detalhadas sobre o motivo dessa ruptura na relação, embora saibamos que o falecimento da mãe teve influência, então para muitos espectadores será difícil aceitar as atitudes dos personagens, criar uma simpatia e até pena deles. Como a iniciativa fica por conta do pai, então o público tente a sentir mais pena e respeito pelo personagem Roberto, que é interpretado magnificamente por Chico Diaz, nada que não fosse esperado.
A cidade do Salvador se torna um grande e importante personagem na história, essa que foi a primeira capital do Brasil, desde 1549. Isso tem uma relação com os dois personagens principais, pois enquanto Roberto representa o homem mais velho e amargurado, o lado histórico da cidade, Júlio (Caio Castro) é o jovem que busca na vida jovem e moderna, se envolvendo com tráfico de drogas, uma forma de juntar dinheiro para fugir dali ao exterior, embora ele não odeie a cidade, mas sim o trauma que enfrenta na relação com o pai. Ele curte baladas, transa com a linda namorada (Camilla Camargo) e também aproveita o lado bonito e antigo da cidade, quando por exemplo mergulha na famosa Baía de Todos os Santos e sobe o bondinho. Neste lado moderno também vemos o domínio desenfreável das construtoras e seus prédios com apartamentos de 3 suítes e vista para o mar, assim como as já citadas boates com seus efeitos de luzes e som. Fica mais fácil identificar os lugares ao ler os agradecimentos nos créditos finais (Boate Borracharia, Bar Quintal, etc). Contudo, para quem mora aqui é bem legal tentar identificar os locais durante o filme (eu reconheci prédios no meu bairro Imbuí).
O foco da história tende a ficar nesse submundo mais noturno, onde existem pessoas e cada uma tem a sua história, que não necessariamente vamos conhecer- assim como na vida real que você percebe aquele senhor na praça, ou na esquina, e só pode imaginar o que se passa com ele. Como pai e filho estão afastados, cada um enfrentando problemas sérios e é uma pena que eles não sejam unidos para apoiar um ao outro, imaginamos como seria diferente esse cenário e até as consequências. Mas aqui a opção é pela ausência, amargura e silêncio, não esperem um conto de fadas. Por um lado, o pai atropela um garoto e passa a direcionar suas energias a acompanhar a recuperação deste com um certo afeto de pai, como substituição da ausência de seu filho Júlio. Por outro, o Júlio mergulha em baladas, relação com a namorada e tráfico de drogas como forma de fugir dali. Muitas cenas são alternadas com cortes bruscos para mostrar o que o Roberto e o Júlio estão fazendo naquele momento e dá para sentir que eles pensam um no outro, tudo que eles vivem está misturado com saudade, raiva ou o que seja de sentimentos dessa nossa cabeça tão complexa. Cada pessoa está numa espécie de travessia enquanto não resolvem seus conflitos e precisam se acostumar com o que sobra, ou com um novo ponto de partida.
O elenco conta com atores baianos e grandes figuras coadjuvantes e até figurantes importantes como representação das pessoas daqui, como o exemplo do mecânico e a frase típica “Quer ensinar o padre a rezar a missa?”, ou o colega folgado que acaba de conhecer a tia do amigo e já a chama de “minha tia”. Os atores baianos Caco Monteiro e Amaurih Oliveira (consegui tirar uma foto com os dois no evento de pré estréia) possuem papel fundamental no filme, o que reforça a importância de misturar atores baianos com o elenco principal e dar visibilidade nacional a talentos que temos aqui.
Ainda assim, quem é baiano vai perceber alguns erros de comportamento, trejeitos e sotaque, entre outras falhas relacionadas a como a cidade se encontra nos dias de hoje. Mas isso só para os íntimos mesmo.

Amaurih Oliveira (à esquerda) e Caco Monteiro (à direita), atores baianos no filme Travessia
Estamos na época das grandes premiações e este filme tem ficado em destaque, com mérito. Na Inglaterra do século 18, Sarah Churchill, a Duquesa de Marlborough, exerce sua influência na corte como confidente, conselheira e amante secreta da Rainha Ana. Seu posto privilegiado, no entanto, é ameaçado pela chegada de Abigail, nova criada que logo se torna a queridinha da majestade e agarra com unhas e dentes essa oportunidade única. Dirigido por grego Yorgos Lanthimos.
Uma equipe de seis astronautas da Estação Espacial Internacional descobre sinais de vida inteligente em Marte e a investigação do fato gera consequências inimagináveis. Dirigido por Daniel Espinosa.
Não podemos negar que o diretor David F. Sandberg conseguiu manter o nível do precursor James Wan, criador de Invocação do Mal e toda essa franquia que também incluí Annabelle e os futuros filmes A Freira e Invocação do Mal 3. A conexão que este filme faz com os anteriores é bem feita, disposta no meio da trama para agradar aos fãs e, para melhorar, esse filme é infinitamente superior ao primeiro Annabelle, que não agradou. É o mesmo diretor de Quando as Luzes se Apagam, que merece ser visto também. O roteiro é do mesmo do primeiro Annabelle, Gary Daubermann. E, é claro, James Wan está na produção, cuidando de seu legado.
Muito top o seu blog, Vanderlei!
Vou ver vários filmes do Park Chan-Wook, valeu pela dica!
Valeu, Evandro. Você pode conferir a trilogia da vingança, composta pelos filmes “Mr. Vingança” (2002), “Old Boy” (2003) e “Lady Vingança” (2005), todos do diretor Park Chan-wook. Estou preparando um post especial sobre os melhores filmes coreanos e te mostro depois. Até mais e bom filme 😉