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O filme sobre Hebe Amargo é bonito e levanta, logo de cara, uma bandeira que está muito presente na comunidade artística brasileira nos dias e hoje, através do lema “Viva o cinema brasileiro sem filtros”. A narrativa se mantem nesse recorte de quando ela já estava no auge como apresentadora – a mais famosa do Brasil – num momento no qual o país sofria com uma censura não assumida pelos seus dirigentes, na década de 1980, transição da ditadura para a democracia. Sua força está no embate dessa celebridade contra as ameaças da censura.

“A Hebe não é de direita, a Hebe não é de esquerda. A Hebe é direta”

Quase sempre de cabeça erguida, bem humorada, extrovertida e exagerada, Hebe Camargo arriscou sua carreira, enfrentou e falou o que pensava… e era tudo o que o povo menos favorecido queria falar. Seu acolhimento e respeito por pessoas que sofriam preconceito gerou ainda mais embates, principalmente por conta da homofobia.

Não lembro muito da Hebe, quase não acompanhei seus programas na televisão, mas adorei a atuação de Andréa Beltrão. Senti que a atriz segurou o filme nas costas, pois ele não vai muito além desse recorte. Também senti falta de cenas pós créditos mostrando a Hebe real, até como comparativo, recurso este utilizado em muitas filmografias e que normalmente funciona.

Momentos de sua vida íntima, em família, mostram um lado pouco conhecido pelo público. Destaque para o seu sofrimento diante do marido machista e agressivo, numa interpretação muito boa de Marco Ricco. A Andréa está muito intensa no papel da Hebe e outros personagens famosos têm uma participação bem pontual e sem maiores destaques. Optou-se por não arriscar muito tempo em cena com Roberto Carlos (Felipe Rocha), Silvio Santos (Daniel Boaventura) ou Dercy Gonçalves (Stella Miranda). Quem sabe cada um desses ganha sua própria filmografia um dia.

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