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Já estão dizendo que James Wan é o herói responsável por um novo patamar da DC nos cinemas. Não é a toa, já que sua direção foi fundamental para destacar este longa como o melhor filme da DC. Aquaman passa por cima dos filmes da DC como um maremoto e chega a ser melhor que alguns da Marvel.

Coraline e o Mundo Secreto (“Coraline”)

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Coraline (EUA, 2008)

O filme conta a história de Coraline Jones, uma menina que se muda com sua família para uma enorme casa. Entediada, a garota descobre uma porta secreta que dá para outra dimensão, bastante similar a sua, só que tudo aparenta ser melhor. Porém, Caroline logo descobre que há algo de errado com seus pais alternativos.
Dois mundos:
Bonecas de pano com botões costurados no lugar dos olhos, circo de camundongos, gato preto, vizinhos estranhos e portas que levam para outro mundo são algumas características dessa animação em stop-motion, dirigida por Henry Selick. No stop-motion, criam-se bonecos e coisas tangíveis que são fotografadas, de tal forma que o filme é projetado com no mínimo 24 fotogramas por segundo.
O roteiro foi baseado na obra “Coraline”, de Neil Gaiman, lançada em 2002. Este autor, também conhecido pela série Sandman, tem em boa parte de suas histórias uma influência de contos de fada, com boas doses de suspense, deixando a coisa meio arrepiante. No caso de Coraline, existe uma variação entre o mundo real e este outro que ela descobre, dando à animação uma série de simbolismos, resultando num interessante drama familiar, carregado de suspense e aventura. O universo infantil fica bem retratado com essa possibilidade de uma outra família, mostrando como muitas crianças estão insatisfeitas com a sua própria, desejando outros tipos de pais, que possam sempre adivinhar e atender às suas vontades. Desta vez a animação está bem direcionada aos adultos, principalmente pelo clima que a história tem. Os botões nos olhos de cada personagem não só trazem um simbolismo, mas também criam um clima aterrorizante.
Como característica nas obras de Neil Gaiman, há uma preocupação importante com os detalhes, como por exemplo no comportamento dos pais de Coraline: a mãe vive mal humorada, mas percebe-se que ela sustenta a casa enquanto o pai vive o sonho de realização profissional (ela usa um laptop na sala, ele um computador ultrapassado no quarto, e uma das poucas vezes que a família está junta é na hora do jantar). Com os pais sempre ocupados, a insatisfação reflete na vida da filha, que também está com saudade de seus amigos (repare no porta-retrato), e assim ela fica encantada com a boa recepção do outro lado da porta secreta, e resolve explorar este novo mundo. Outro detalhe é que a casa nova é chamada de “castelo rosa”, sendo que no outro mundo acaba se tornando uma espécie de castelo dos horrores.
Outros personagens colaboram com a trama, como o estranho Wybie, que ganha a antipatia imediata de Coraline (facilmente pensamos mal de alguém que cruza nosso caminho). Os animais são interessantes e divertidos, como o gato preto e os cachorros das duas velhinhas – que já foram atrizes, assim como os camundongos do “grande” Bobinsky, um treinador de circo falido e sonhador. A princípio, podemos ser levados a pensar que são pessoas excêntricas demais, porém com o aprofundar da trama, criamos uma simpatia para com eles, que transbordam solidão e toda uma tristeza, nos remetendo à realidade de muita gente. Ninguém escolhe os vizinhos que vai ter, porém todos podemos conviver bem, todos somos humanos, falhos, e precisamos ou um dia precisaremos de afeto e da paciência dos outros.
Neil Gaiman afirmou que sua motivação ao escrever o livro era “expressar que, certas vezes, as pessoas que nos amam podem não nos dar toda a atenção que precisamos, e certas vezes aqueles que nos dão toda a atenção necessária podem não nos amar de maneira saudável”. Coraline, após viver aquele sonho que se transforma em pesadelo, percebe que as pessoas que aparentemente não eram tão encantadoras, eram as que a estavam protegendo, e que de fato, a amavam. 

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