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A história do baião através da ascensão e queda de um de seus maiores expoentes, o letrista e compositor Humberto Teixeira, conhecido como o “doutor do baião”. Responsável por clássicos como “Asa Branca” e “Adeus Maria Fulô”, Teixeira atingiu o estrelato nos anos 50 mas acabou quase esquecido. Na década seguinte, com o surgimento da bossa nova, o baião quase caiu na obscuridade. Dirigido por Lírio Ferreira.

Baião:

O baião é um gênero musical e também uma dança, surgido e popularizado a partir da região Nordeste do Brasil, que utiliza os seguintes instrumentos musicais: viola caipira, triângulo, flauta doce e acordeão (também chamado de sanfona). A temática das músicas é o cotidiano dos sertanejos e a canção “Asa Branca” é a mais famosa, que fala do sofrimento do sertanejo em função da seca nordestina. Essa canção foi escrita por Humberto Teixeira e a história deste homem, vamos conhecer neste belíssimo documentário.

Na década de 1940 o baião tornou-se popular, através de Luiz Gonzaga (conhecido como o “rei do baião”) e Humberto Teixeira (“o doutor do baião”), abrindo caminho para outros artistas, servindo de inspiração até hoje. Raul Seixas misturou o rock com o baião em suas músicas. Gilberto Gil e Caetano Veloso também se apossaram deste gênero, entre outros, e assim o baião perpassa nossas raízes musicais. Podemos até citar figuras como David Byrne (músico e compositor norte-americano nascido na Escócia) e a atriz Silvana Mangano, que interpretou uma cantora de cabaré no filme Anna (1951, de Alberto Lattuada), onde o baião aparece. O caso de David Byrne é ainda mais interessante, pois ele tocava músicas de Luiz Gonzaga ao violão para entreter os colegas entre os shows. De alguma forma chegou a ele uma tradução para o inglês de “Asa Branca”, feita com a ajuda de um dicionário. Isso fez com que ele fosse convidado a gravar com a Forró in the Dark, banda brasileira que se apresenta em Nova York. Podemos conferir a semelhança entre os timbres vocais de David Byrne e Luiz Gonzaga. Essa e outras situações podem ser vistas neste documentário nacional.

A premissa é simples: mostrar a história de vida de Humberto Teixeira, partindo de sua filha, a atriz Denise Dummont, que vai em busca de conhecer o pai falecido. De muitos talentos e controvertida personalidade, ele foi compositor, advogado, deputado federal e criador das leis e direitos autorais. Grande parceiro de Luiz Gonzaga (vemos no filme um vídeo onde os dois estão conversando), Humberto Teixeira escreveu boa parte das músicas do rei do baião, inclusive “Asa Branca”. Sem eles, o baião poderia não ter o alcance que hoje tem no Brasil e no mundo. O filme é uma forma de entretenimento, cultura e poesia, ao reconhecer a história de Humberto Teixeira, junto com uma grande homenagem ao baião e dando um sentido a este gênero que representou orgulho e resistência dos nordestinos.

Documentários têm muitas vantagens, uma delas é apresentar ao mundo grandes nomes, que poderiam ficar praticamente desconhecidos se não fosse por isso. E este aqui mostra essa bela história de vida de Humberto Teixeira, pessoa que deve ser lembrada. Afinal, muitas pessoas sabem quem é o “rei do baião”, mas não sabem quem é o “doutor do baião”. Um outro exemplo é o documentário Procurando Sugar Man (2012, de Malik Bendjelloul) que mostra a incrível história do cantor Sixto Rodriguez, que tentou a sorte na cidade de Detroit nos anos 70.

Algumas passagens do filme contam também com Gilberto Gil, Lenine, Belchior, Elba Ramalho, entre outros, com direto a depoimentos e muita música boa. Recebeu grandes prêmios nacionais, 5 deles no Cine Ceará.

Humberto Teixeira e Luis Gonzaga, cena do documentário

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Fontes:
http://www.pragmatismopolitico.com.br/2014/11/documentario-o-homem-que-engarrafava-nuvens.html
http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDR81591-6006,00.html

Tags Relacionadas Asa Branca, baião, Belchior, Caetano Veloso, Cine Ceará, crítica, crítica filme homem nuvens, David Byrne, Denise Dummont, documentário, documentário nacional, filme, forró, Gilberto Gil, Gonzaga, Humberto Teixeira, Lenine, Lírio Ferreira, Luis Gonzaga, música, Procurando Sugar Man, Raul Seixas, resenha, resenha homem nuvens
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