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Filmado durante 12 anos (começou em 2002), este filme é um retrato dessas experiências, da infância até a juventude, focada na vida de um garoto. O diretor Richard Linklater manteve os mesmos atores durante os 12 anos de produção, cada ano reunia a todos e filmava um pouco mais.

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Dirigido por Eduardo Albergalia e escrito em parceria com Carlos Thiré, Ana Cohan e Fernando Velasco, esse filme parece ter saído de uma história de Nelson Rodrigues, contudo está muito abaixo do poder e impacto que histórias assim deveriam ter. Na tentativa de discutir o desejo e sua consumação, em contraste com a fidelidade, entrega-se um filme raso e sem graça mesmo nas suas pequenas tentativas em ser divertido.

A ideia de discutir a liberdade e fazer com que as pessoas deem espaço para o seu desejo é interessante, até instigante quanto mais quando uma garota jovem e sexy pede ao seu professor estrangeiro para dizer a palavra desejo em espanhol (“fala pra mim: deseo”). A sensualidade também aparece na personagem de Letícia Sabatella devido principalmente a sua beleza que parece eterna. Existe uma proposta da comédia se misturar com a melancolia e entendemos isso na situação do protagonista, que narra sua história lentamente. Há uma tentativa tímida de introduzir elementos periféricos à trama central, como redes sociais, política e família, mas, enfim, a trama não cria situações fortes e nem reviravoltas chamativas.

Podemos admirar a trilha da Urca e outras belezas do Rio de Janeiro no filme, ou achar divertido os turistas perdidos procurando sempre o Pão de Açúcar, até mesmo à noite e sob chuva. Assim como a presença de Letícia Sabatella e a atuação divertida do argentino Luciano Cáceres, mesmo sendo coadjuvante. Mas ao que parece o maior acerto do filme é trazer a música “Fala”, de Ney Matogrosso em contexto com a narrativa. Talvez sejam poucos acertos para valer 2 horas de seu tempo, mas isso depende de cada um.

Independente do resultado, é uma produção brasileira e argentina que pode ajudar a estreitar as fronteiras do mercado de cinema latino-americano. Já tivemos uma produção brasileira e chilena funcionando muito bem, estamos falando do drama O Silêncio do Céu (2016), um ensaio interessante sobre a culpa numa trama hipnotizante, de Marco Dutra. E já tivemos muitos outros filmes que acertaram com o tema “relacionamentos modernos”, inclusive o nacional Tolerância (2000), com Roberto Bontempo e Maitê Proença (confira resenha clicando aqui).

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