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Filme baiano, sensível e bem contextualizado:

Baseado no contro do austríaco Stefan Zweig (1881 – 1942), este é o primeiro longa-metragem dirigido por Bernard Attal, francês radicado na Bahia. Foi o último trabalho do ator Walmor Chagas no cinema, que faleceu neste ano de 2013. A ideia de existir uma rara coleção de gravuras de Cícero Dias (pintor do modernismo brasileiro), na mão de um fazendeiro no sul da Bahia, assim como todo o mistério que ronda a região e a reação da esposa e da filha em não cooperarem com o protagonista Beto, já apresenta uma característica de conto. Beto se mostra preocupado com o próprio problema, mas encontra uma realidade dura na pequena cidade de Itajuípe e, a partir dos acontecimentos, vai se transformando gradativamente. Desde o momento em que chega a cidade, fica sabendo da “bruxa”; essa praga famosa, a “vassoura de bruxa”, na década de 1920, destruiu milhares de plantações de cacau na Bahia, acabando com a economia de muitas cidades e levando pessoas da fartura à pobreza, em pouco tempo. Este retrato da destruição que a praga deixou na região, junto com o mistério da trama e a transformação pessoal de Beto, tornam o filme algo bem contextualizado, ao mesmo tempo simples e sensível. Vemos até a luta que ocorre na atualidade, através da filha do casal, interpretada por Ludmila Rosa, quando esta se mostra uma batalhadora vendendo cacau que colhe da própria fazenda, e defendendo a natureza das famosas queimadas que também caracterizam bem nossa realidade. O filme ficou com o prêmio de júri popular no Festival de Gramado.

A trama começa no ambiente urbano, onde Beto sofre a perda de amigos num acidente de carro, na cidade grande de Salvador. Pressionado pela sensação de culpa e pelas dificuldades financeiras, ele vê na coleção de gravuras uma oportunidade boa de melhorar sua situação. É a primeira vez que o baiano Vladimir Brichta atua como protagonista dramático, e ele passa um realismo bacana em sua interpretação, quando lembra de seus traumas e quando encara novas vivências.

A atriz Clarisse Abujamra passa a dor e a revolta da situação que vive, como esposa do fazendeiro colecionador, em poucas cenas e poucas falas, mas com uma atuação madura, tendo assim uma premiação merecida (melhor atriz coadjuvante no Festival de Gramado). Mais ainda o ator Walmor Chagas (melhor ator coadjuvante), que já estava com a visão prejudicada durante as filmagens, mostrando um fazendeiro já decadente que mantém uma paixão pela sua coleção de gravuras de Cícero Dias. Porém temos outros personagens que acrescentam bastante, como o motorista de táxi (Frank Meneses) e o radialista da cidade (Paulo César Pereio), além de crianças locais, que servem de guias para Beto. Representam bem a realidade social da cidade e, o pouco convívio que Beto tem com eles, acaba sendo um dos principais motivos de sua transformação.

Revelações no final da trama nos pegam de surpresa, da mesma forma que pegam o personagem, e assim podemos nos sentir tão transformados quanto ele. O nome “invisível” do título remete à coleção (e colecionador) esquecidos, assim como àquelas raras pessoas da cidade, esquecidas (quase invisíveis para o mundo). Gente invisível, gente esquecida. A trajetória de redescobrimento de Beto é o ponto forte do filme, por ser bem construída e por deixar a mensagem de que, muitas vezes, nos resta oferecer uma atitude humilde e uma amizade. Oferecer um abraço para um garoto, no final no filme, tem profundo significado, tão simples e tão raro que até causa estranheza ao garoto.

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Fontes:
http://cinema.terra.com.br/premiado-em-gramado-a-colecao-invisivel-marca-despedida-de-walmor-chagas,24a1f37a09ae0410VgnCLD2000000dc6eb0aRCRD.html
http://www.cinepipocacult.com.br/2013/09/a-colecao-invisivel.html

Tags Relacionadas bahia, Bernard Attal, brasil, brazil, Cícero Dias, crítica, Festival, Festival de Gramado, filme nacional, Frank Meneses, Gramado, resenha, salvador, Stefan Zweig, Walmor Chagas
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