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O diretor Bernardo Bertolucci tem fama de tratar a sexualidade em seus filmes, porém neste ele explora a questão com uma certa sutileza. Tímido e na puberdade, Lorenzo se comunica com a irmã mais através de olhares do que falando. A mãe de Lorenzo evita certa aproximação com o garoto, apesar de morarem juntos, e acaba que os meio irmãos – afastados por outras questões de família – vivem uma experiência única em apenas uma semana juntos.

Bertolucci aproveita o espaço fechado para deixar um clima mais intimista em seu filme, e constrói a narrativa com base, essencialmente, na imagem. O porão acaba sendo o refúgio fechado ao mundo. Os transtornos que Olivia introduz na vida do rapaz levam a pequenas transformações na relação entre eles. Com Lorenzo, podemos sonhar em abstrair o mundo, em nos ocultar dos problemas que existem; com Olivia, vemos a importância de se arriscar e, com isto, algumas consequências que aparecem.

Aqui a transcrição de uma fala de Olívia que casa com o título e outras questões do filme:

“As fotos que você viu são parte de uma série chamada ‘Sou uma parede’.
É uma metáfora.
Basicamente, sou eu me transformando naquela parede,
entrando no papel de parede, para dentro do gesso.
Como um lagarto…
Não como um lagarto.
Praticamente, eu queria me materializar.
Eu e você, se não tivéssemos um ponto de vista, seríamos iguais, não é?
Sim, sem um ponto de vista, deixaríamos de ser
sempre um contra o outro
e aceitaríamos a realidade como ela é, sem julgá-la.”

__________________________________
Fontes:
http://cinema.uol.com.br/noticias/redacao/2012/11/27/bertolucci-retrata-adolescencia-em-filme-que-faz-parte-de-festival-de-cinema-italiano-em-sp.htm
http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/1198559-critica-em-eu-e-voce-bertolucci-calca-narrativa-quase-so-na-imagem.shtml

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