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Corações na Atlântida:

Stephen King não somente escreve livros e contos de terror, mas também possui suas histórias dramáticas. Este filme tem como base dois contos do livro “Hearts in Atlantis”, os contos “Low Men in Yellow Coats” e “Heavenly Shades of Night are Falling”. A história tem suas pitadas de ficção e suspense, quando trata da questão da paranormalidade, mas é essencialmente um bom drama. Existem outros bons exemplos de filmes inspirados em suas obras, que não são de terror: “Conta Comigo” (“Stand by Me”, 1986), “À Espera de um Milagre” (“The Green Mile”, 1999) e meu preferido “Um Sonho de Liberdade” (“The Shawshank Redemption”, 1994). A amizade entre protagonistas é um tema em comum entre esses filmes, assim comum uma pequena dose de suspense ou ficção.
A amizade entre o garoto Bobby Garfield (Anton Yelchin) e um estranho senhor, Ted Brautigan (Anthony Hopkins), que chega à pacata cidade do primeiro, é a chave da trama. O garoto sente a falta de um pai que mal conheceu e isso fica mais forte quando sua mãe se preocupa com futilidades e somente com si mesma, enquanto que o personagem de Hopkins se mostra uma pessoa que teve uma infância sem muitos amigos, provavelmente por conta de seu dom que faz com que o governo fique à sua procura para se aproveitar dos “poderes” e combater comunistas (quase que uma lenda urbana da época, anos 60). A participação de Anthony Hopkins, como de costume, é um diferencial, tão bom que este parece mesmo não enxergar bem, e percebemos isso antes do personagem assumir que possui a visão prejudicada.

O garoto fica fascinado inicialmente com o aspecto enigmático de Ted, protegendo seu grande segredo, mas é o cuidado e as orientações do senhor que vão causar ao garoto uma verdadeira admiração, levando-o a perceber detalhes ao seu redor, principalmente nas questões pessoais. Ted dá a dica a Bobby para aproveitar aquele verão com seus inseparáveis amigos, a experimentar um verdadeiro amor de infância e a conhecer características boas de seu falecido pai. Também aprende a perdoar e a repassar a bondade, como visto nas últimas cenas, onde ele entrega à filha de Carol Gerber a foto da mãe da garota, ainda pequena, o que deve trazer sensações positivas da filha em relação à mãe que ela não deve ter conhecido bem. A atriz Mika Boorem interpreta mãe e filha.

Tudo se passa rapidamente pelas lembranças do bem-sucedido fotógrafo Bob (David Morse), quando visita sua antiga cidade. O diretor Scott Hicks mencionou que o “11″, marcado na janela de Bobby, significa que todas as lembranças se passaram em questão de segundos na mente do personagem adulto. Isso fica evidente por causa da condensação na janela que evapora. Esses detalhes especiais no filme são reflexo do roteiro escrito pelo veterano William Goldman, autor de roteiros consagrados como “Butch Cassidy” (1969), “Todos os Homens do Presidente” (1976) e “Chaplin” (1992). O monólogo de Anthony Hopkins sobre o jogador de futebol que retorna da aposentadoria é do romance Um Passe de Mágica (Magic), do próprio William Goldman, que também escreveu o roteiro da adaptação de seu romance, no qual Hopkins também foi protagonista.

Com uma dose de sensibilidade, o diretor Scott Hicks (do excelente “Shine: Brilhante”, de 1996), mostra a trajetória deste menino de 11 anos e a forma como ele projeta no carismático Ted a presença de um pai que mal conheceu. O filme também usa músicas consagradas dos anos 60, como “Only You”, “Smoke Gets in Your Eyes” e “The Twist”.

“Às vezes, quando somos pequenos, temos momentos de tal alegria que achamos que estamos vivendo num lugar tão mágico como deve ter sido Atlântida… depois crescemos e os nossos corações se partem em dois.”

“Eu não trocaria nem um minuto. Por nada nesse mundo.”

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Fontes:
http://omelete.uol.com.br/cinema/lembrancas-de-um-verao/

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