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O drama libanês indicado ao Oscar 2019 é dirigido por Nadine Labaki e claramente se propõe a impactar e conscientizar pessoas. A pobreza impera nas cenas bastante realistas a ponto de causar uma atmosfera pesada, ganhando o título de “Caos” no Brasil. É justamente o que vemos na tela: um retrato triste da pobreza que começa a ser vista do alto, mostrando as moradas (com muitos pneus em cima) de um bairro precário e depois mergulhando no cenário de uma família, onde temos um garoto de 12 anos.

Esse garoto é Zain, personagem principal interpretado pelo ator de mesmo (primeiro) nome Zain Al Rafeea. Ele é o maior ganho do filme, impecável em vários aspectos, quanto mais num filme onde a expressão facial fica em foco e se faz necessário mostrar sentimentos como tristeza e angústia. Dá gosto ver sua atuação e isso é um alívio pois ele está muito presente na narrativa que dura 2 horas e pouco.

Se por um lado o filme entrega muita coisa no início que seria uma surpresa impactante, por outro ele possui um desfecho dos bons, talvez o momento final seja o único alívio após tanto sofrimento. Como predomina o ponto de vista do garoto, os pais não são explorados como mereciam e muita gente pode interpretar equivocadamente o recado que o filme tenta passar sobre controle de natalidade, a não ser que o filme tenha de fato apontado para um certo lado e aí temos um grande escorrego aqui. Mas não tira o mérito do todo.

“Somos insetos e parasitas”

Muitos personagens vão surgindo ao redor de Zain e quase todos são vítimas do meio, como o próprio pai desabafa “Já pensou que tudo isso não é minha culpa? Nasci e cresci nesse meio“. Contudo, quase todos os adultos do filme possuem uma maldade ou mesquinhagem sem fim, mas na realidade devem existir muitas pessoas boas e humildes ou simplesmente vítimas sem muitas opções naquele meio, como é o caso de Rahil e dos próprios pais de Zain.

Aqui não existe comédia, nem sorrisos (talvez com uma exceção quase forçada). É tudo tão caótico que nem vendo crianças brincando a gente consegue sentir uma leveza. Zain, usando a mesma roupa quase o filme inteiro, ainda consegue duas pitadas de conforto, uma na cena da roda gigante (a falta de barulho nas alturas contrasta com o que acontece no solo) e outra que não posso contar mas que vale ser aguardada.

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