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Tarantino nos joga na Hollywood do final da década de 1960 num filme que é muitas coisas, inclusive um filme pessoal, pois nesta época ele tinha 6 anos de idade e já admirava a Hollywood que enxergava. Assim, na figura de 3 personagens centrais, sendo um deles não fictício (a Sharon Tate interpretada por Margot Robbie) ele retrata o que muitos atores da época enfrentavam nesse universo que até hoje é uma indústria impiedosa, quanto mais naquela época onde Hollywood continuava crescendo, com muito produtores em Los Angeles aproveitando as condições ideais para fazer filmes: dias ensolarados, diferentes paisagens e etnias (negros, brancos, latinos e indianos).

É uma história de aceitação, sucesso e superação, sobrevivência nesse mundo onde mais atores surgiam e as produtoras sempre estavam ambiciosas. Mas também é uma história de amizade entre os dois protagonistas, um sendo o pilar de sustentação do outro na frente e por trás das câmeras. Genial colocar um ator e seu dublê para representar essas personas. E nem preciso dizer que Leonardo DiCaprio e Brad Pitt dão um show e seus personagens possuem uma sinergia adequada para o filme.

Você respira cinema durante toda a trama ao ser apresentado a termos como 16mm, 35mm (formato ou bitola cinematográfica), locais onde tem escrito cinerama, Cine Drive-in e todo um conteúdo de filmes e celebridades da época, alguns podendo passar desapercebidos. Vou citar poucos casos que percebi aqui e se preferir descobrir sozinho, pule o resto desse parágrafo. Vamos lá! Temos um cartaz de Assim Caminha a Humanidade (1956) e de Tora! Tora! Tora! (1970), temos famosos introduzidos aos poucos, como Roman Polanski e Steve McQueen (o Damian Lewis interpretando foi ótimo e eles são realmente parecidos) e cenários em estúdio cinematográfico. De forma mais explícita temos o filme Arma Secreta contra Matt Helm (The Wrecking Crew, 1969) que teve participação da Sharon Tate. E ainda tem o personagem do Bruce Lee que ficou muito bom com seus conhecidos trejeitos. Para ter ainda mais a cara do Tarantino no filme, existe uma sequência abordando os filmes de faroeste espaguete, que tiveram produção quase sempre italiana, dos quais ele é fã.

Como a brutalidade dos hippies da família Manson marcou muito essa época, por conta do episódio que atingiu família e amigos de Roman Polanski, inclusive a Sharon Tate, Tarantino explora bem essa questão e brinca com nossa angustia por sabermos o que aconteceu de fato. Ele vai nos preparando com genialidade até o clímax.

Acredito que tenha sido um dos melhores finais possíveis para essa trama, o que me fez sair da sala de cinema e desse mundo tão imersivo e interessante, tão real e tão imaginário, criado por Tarantino, bem satisfeito!

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