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Gods and Dogs:

Mais de 200 cães representam os figurantes desse filme que faz uma bela crítica social e política, com um certo apelo contra o tratamento cruel dado aos animais. Hagen é o chefe da matilha, nosso principal personagem, que vive em Budapeste, capital da Hungria. O filme começa com uma cena impactante, onde uma garota numa bicicleta é perseguida por cães.

Enquanto a garota do filme tem um nome que normalmente é atribuído a animais (Lili), o cachorro (Hagen) possui um nome mais comum a humanos. Entre essa e outras curiosidades, temos o trocadilho com o nome “dog” (cão em inglês), quando escrito ao contrário, ficando “god” (deus), como no título do filme “Deus Branco”; uma referência ao ser humano que cada vez mais se coloca como superior. A revolta e revolução feita pelos cães no filme, é sensacional, bem construída ao longo da narrativa, na medida que vamos acompanhando os percalços que o cão principal, Hagen, vai passando. Ele é um cachorro proibido pela sociedade por ser mestiço. Dessa forma, vemos cenas chocantes, brutalidade e uma crítica a coisas que serem humanos também já viveram bastante, e ainda vivem, diante do preconceito e da xenofobia.

O diretor húngaro Kornel Mundruczó usou dois labradores gêmeos, Luke e Body, para o papel de Hagen. Muitos cães precisaram ser bem treinados, já que não se utilizaram recursos de computação gráfica para as cenas. Como dito pelo diretor: “Foi uma experiência terapêutica. O filme é uma bela prova da cooperação singular entre duas espécies”. Ele também complementa que os cachorros vieram da Sociedade Protetora dos Animais e, ao concluir o filme, todos foram adotados.

A menina Lili tem um papel importante, já que ela realmente ama o seu cão e consegue acalmar os animais, ao tocar o seu trompete numa versão de “O Flautista de Hamelin”, conto folclórico que foi readaptado pelos Irmãos Grimm e que narra um desastre incomum acontecido na cidade de Hamelin, Alemanha, em 26 de junho de 1284.

O filme foi inspirado no romance “Desonra”, apresentado nos teatros em 2012, do sul-africano J. M. Coetzee. Ganhou prêmio no festival de Cannes e mostrou ousadia com bom resultado, ao descartar a computação gráfica e utilizar animais adestrados, dando uma reinventada em filmes com animais, especialmente cachorros, e ainda beneficiando a eles, já que a produção do filme incentivou a adoção dos animais.

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Fontes:
http://cinema.uol.com.br/noticias/redacao/2014/05/23/filme-com-arrastao-de-caes-vence-mostra-e-e-mais-comentado-em-cannes.htm
https://pt.wikipedia.org/wiki/O_Flautista_de_Hamelin

Tags Relacionadas crítica, Deus Branco, Deus Branco filme, Feher Isten, Kornel Mundruczó, resenha
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