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Theodore Robert Bundy tinha muitas características para ser um assassino temível: charmoso, comunicativo, sedutor… atributos que atraíam facilmente as mulheres. Estudante de direito e psicologia, ele conseguiu convencer a todos, inicialmente, de sua inocência, ao se defender no tribunal e conduzir seu próprio processo. Pior que um assassino, é um assassino que também é advogado! Em uma das melhores cenas do filme, Ted dispensa seu advogado e começa a se defender perante o tribunal.

Boa parte da narrativa trabalha a personalidade de Ted ou se passa no julgamento, deixando as cenas fortes de assassinato para a imaginação do espectador, o que ficou interessante. A angústia da dúvida que o personagem passa para as pessoas que o rodeiam, principalmente para as mulheres com as quais se relacionou e ao júri (nunca sabemos o que eles pensam), o filme tenta passar também para o espectador. A narrativa vai se desenvolvendo sem entregar o protagonista como culpado, existem muitas situações questionáveis e somente em certos momentos de closes no rosto do personagem e certas expressões e comportamentos indicam que ele poderia ser mal.

Zac Efron interpreta sem escorrego um dos mais temíveis assassinos em série da história dos Estados Unidos da América durante a década de 1970. O ator, conhecido pelas divertidas comédias Baywatch (2017) e Vizinhos (2014) agarra a oportunidade de um papel dramático e acerta em cheio, na direção de Joe Berlinger que aproveitou sua própria bagagem por ter dirigido a série Conversando com um Serial Killer: Ted Bundy (2019), da Netflix. O elenco secundário não me chamou muita atenção, apesar de ter o Haley Joel Osment, eternizado pelo O Sexto Sentido (1999) e o Jim Parsons, que não nos permite deixar de enxergar o Sheldon de Big Bang Theory mesmo interpretando aqui um advogado.

É interessante ver como era fácil escapar da polícia e de algumas prisões após estudar as brechas. E como era fácil enganar vítimas. Incrível e arrepiante imaginar que as pessoas não percebem que pode haver um assassino convivendo com elas, qualquer um pode ser um assassino em série por mais que nos seja alguém íntimo e que nos inspire confiança.

Como um tributo às vítimas conhecidas, uma lista de 26 nomes de mulheres é exibida no final do longa, seguido de algumas cenas reais que ficaram bem parecidas com as do filme. É uma estratégia que não falha e já foi usada outras vezes, como em Argo (2012), só que este último mostrou fotografias comparando cenas do filme com as da realidade.

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