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Adoráveis Mulheres: resenha filme

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Adoráveis Mulheres: entre a afirmação feminina e o romance por tradição

Dois anos após Lady Bird (2018), seu primeiro filme, Greta Gerwig dirige mais uma produção com protagonistas femininas neste Adoráveis Mulheres (2019). Tendo origem no romance juvenil Mulherzinhas, de Louisa May Alcott, Greta escapa da etiqueta de principiante sortuda e se consagra como uma das melhores diretoras do cinema. A saber, o filme é um retrato singelo de uma família classe média formada pelas irmãs Jo (Saoirse Ronan), Beth (Eliza Scanlen), Meg (Emma Watson) e Amy (Florence Pugh) que amadurecem enquanto os Estados Unidos atravessam a Guerra Civil.

A escritora Louisa May Alcott está incorporada na protagonista Jo, sobretudo por ela mesma ter se tornado escritora enquanto sonhava ser atriz. Analogamente, a trama se passa numa época onde as mulheres tinham que ser atrizes famosas ou casar com um homem rico para se firmar. Evidentemente, as próprias experiências de Louisa inspiraram suas histórias. Aqui, meninas-mulheres com personalidades diferentes enfrentam a vida juntas e unidas pelo amor e valores como a dedicação ao lar e união familiar. Em segundo lugar, um encontro do tradicional com o moderno estão presentes na trama, tudo muito bem articulado e dosado nas idas e vindas do tempo.

Adoráveis Mulheres: resenha filme

Saoirse Ronan e Timothée Chalamet

Sem exageros no melodramático e nem nas cenas engraçadas, Greta mantém uma identidade no filme onde o verbo que me vem à mente é “cativar”. Assim, algo que se tornaria um mar de sofrimento, passa com beleza e nos cativa, mostrando o lado adorável das pessoas, não somente das mulheres do título, mas também dos amigos, vizinhos e até da única empregada da família.

“Não me conformo com a decepção de ser mulher”

Saoirse Ronan está bem natural principalmente quando enfrenta o fato de que existem poucas opções para as mulheres nessa época. Ela é um encanto maior ainda ao contracenar com o já adorado Timothée Chalamet (de Me Chame Pelo Seu Nome, 2017). Laura Dern tem um papel fundamental: é a “mamãe” das garotas, atuação fenomenal, atriz que sempre foi boa mas só apareceu nos holofotes após História de Um Casamento, certamente sua subida ao Oscar. E a Florence Pugh confirma como a grande promessa, surpreendendo mesmo após sua ótima presença em Midsommar. Inegavelmente estamos diante de uma impecável direção de atrizes e atores.

O romance já havia sido adaptado para o cinema, TV e séries, desde 1917. Não conheço e nem fiquei empolgado em ver esses anteriores; para mim é mais que suficiente essa versão de Adoráveis Mulheres (2019) pelas mãos da Greta Gerwig. Para saber o quanto gostamos também de Lady Bird, leia a resenha clicando aqui.

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