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Não vou dizer que a ideia de um apocalipse zumbi é absurda e entrar em conflito com todo o culto que existe sobre esse universo criado por George A. Romero, consagrado mestre e diretor de filmes do gênero desde 1968 com A Noite dos Mortos Vivos. Como ficção, é inegável o sucesso dos filmes que chegam a provocar profunda análise social e acabam até sendo mais humanos do que outras produções. Em Zumbilândia 2, o mundo zumbi é consumido numa comédia com senso de humor acima da média, uma fiel continuação dez anos depois da primeira aparição do quarteto de caçadores interpretados por Harrelson, Eisenberg, Breslin e Stone. Se a sinergia do elenco foi boa no primeiro filme, aqui é o ponto máximo.

O Guia de Sobrevivência a Zumbis, livro de Max Brooks, estabelece que o pé-de-cabra de aço é uma arma das mais indicadas contra os mortos vivos; leve, fácil de manejar, faz pouco barulho e provoca a concussão com facilidade (afinal o objetivo é esmagar o cérebro). Este filme começa acertando na fidelidade, já que a primeira arma utilizada pelo experiente personagem de Woody Harrelson é um pé-de-cabra. Basta se atentar a outros detalhes e perceber o cuidado com a cultura zumbi na trama, com certos incrementos, alguns bem absurdos, a esse universo, o que não deixa de ser uma coisa boa. Até para filmes com mortos vivos que se alimentam de cérebro, se faz necessário sair da caixa.

Escrito pela mesma dupla responsável pelo roteiro de Deadpool (Rhett Reese e Paul Wernick), essa sequencia é repleta de sarcasmo com pinceladas de humor negro e referências a outras produções, desde Os Simpsons, Família Dinossauro e até Walking Dead. Outra semelhança é a interação com o espectador, presente desde a primeira cena e fazendo a gente se sentir prestigiado. Não só fala com a gente mas também nos provoca em alguns momentos.

Na trama, a acomodação que toma conta do grupo ao se estabelecerem na Casa Branca e decidirem curtir a vida – mesmo com o apocalipse lá fora – logo é quebrada pela ausência de adrenalina e pelos problemas de relacionamento que vêm à tona e se tornam uma preocupação maior para eles do que os próprios zumbis. A interação entre eles, cada um com sua personalidade marcante, continua gerando as cenas mais divertidas e as lições mais importantes. Mesmo enveredando para um clichê, é bom reforçar que, numa equipe, cada atributo é valioso por mais esquisito que possa parecer. Imagine o grupo sem as regras do personagem de Jesse Eisenberg (que faz questão de reforçá-las o tempo todo).

Os atores estão ótimos, cada um parece se encaixar bem até demais em seus papéis, apesar de ter havido pouco aproveitamento de Abigail Breslin, que acabou sendo compensado pela grande surpresa no filme, Zoey Deutch; sua personagem Madison é uma caricatura que rouba a cena em muitos momentos. Aliás, todo o elenco adicional foi bem introduzido e aproveitado no filme sem ofuscar os originais. Particularmente, gostei muito do Jesse Eisenberg que, além de tudo, cuida da narração.

Se temos os filmes do George A. Romero como o suprassumo do assunto, assim como Todo Mundo Quase Morto (Shaun of the Dead, 2004) como um grande cult, a franquia Zumbilândia consegue ter um pouco de tudo que essas produções ofereceram, embora bem puxada para a comédia apresentada em filmes como Como Sobreviver a um Ataque Zumbi (2015). Assim, recomendo assistir sem se preocupar em ver novamente o primeiro filme, justamente para não ter aquela sensação de repetição e curtir como se fosse uma primeira vez. Não deixe de conferir também as duas cenas pós créditos, uma delas é longa e divertida.

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